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Bernardinho abre mão de salário: 'não tem orçamento para me pagar'

Bernardinho, técnico do Sesc - Divulgação/Sesc
Bernardinho, técnico do Sesc Imagem: Divulgação/Sesc
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/05/2020 18h10

O técnico Bernardinho abriu mão de seu salário como treinador do Sesc-RJ, equipe feminina que ele comanda desde 1997, para manter o projeto funcionando. Devido à pandemia, o clube precisou cortar salários de atletas e Bernardinho deu o exemplo, como contou em live transmitida pelo canal de YouTube "Saúde Aquática" nesta semana.

"Tivemos de renegociar todos os contratos, porque tivemos uma perda significativa de patrocínio. Jogadoras perderam 60% dos contratos. Eu perdi 100% do meu. Se eu tiver de vender meu carro, vou vender meu carro, é a minha paixão. Não quero que o projeto morra porque tem de me pagar também. Nesse primeiro momento não tem orçamento para me pagar. Não posso deixar de pagar as meninas. Como eu posso negociar com elas, negociar o 40% de corte se eu não dou exemplo?", questionou.

Oficialmente chamado Rio de Janeiro Voleibol Clube, o time nunca foi chamado assim e ficou conhecido por nomes fantasias como Rexona e Sesc-RJ, dependendo do patrocinador, e teve início em 1997 em Curitiba. Na prática, é uma agremiação com 23 anos e 12 títulos brasileiros, sempre treinada por Bernardinho, que é também gestor.

O clube tem contratos com atletas até o fim deste mês de maio, mas a Superliga Feminina foi suspensa em meados de março. O Sesc-RJ, não é segredo, passa por dificuldades financeiras há algum tempo (já havia anunciado o fim do time masculino antes mesmo da pandemia) e perdeu receita com o fechamento da maior parte do comércio.

"Vamos olhar para o lado? A situação está muito difícil. Imagina quem trabalha na praia vendendo sorvete, picolé o dia inteiro, com aquela geladeira o dia inteiro nas costas, caminhando na areia. Está vivendo como? Um cara que tinha uma carrocinha de vender coco? Esses pequenos empreendedores estão sofrendo muito. Claro que a gente está sofrendo bastante. Mas temos de entender o momento e trabalhar, até que a atividade do esporte possa retornar no país", afirmou na live.

O futuro do projeto é incerto, como quase tudo no vôlei brasileiro no momento. Como contou o Olhar Olímpico, Bernardinho negocia uma fusão de seu projeto com o Flamengo, que por pouco não foi rebaixado na sua volta à primeira divisão da Superliga. O mercado está muito pouco movimentado. A equipe está acertada com a oposta Lorenne, destaque do São Paulo/Barueri de Zé Roberto, mas Tandara deve voltar para Osasco.

Olhar Olímpico