PUBLICIDADE
Topo

"BBB da natação" tem sete atletas de seleção brasileira na mesma casa

Nadadores almoçam juntos na casa em que estão durante a quarentana - Arquivo Pessoal
Nadadores almoçam juntos na casa em que estão durante a quarentana Imagem: Arquivo Pessoal
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/05/2020 04h00

Isolados, mas juntos. Oito dos principais atletas de natação do Brasil encontraram um jeito de superar a quarentena respeitando o isolamento social, mas treinando e se divertindo. Eles, que moram em três repúblicas diferentes na cidade de São Paulo, estão agora vivendo juntos em uma casa em São José do Rio Preto, no interior paulista.

A casa é da família de Fabio Santi, de 30 anos. No "Big Brother da natação brasileira", também estão o casal Matheus Santana e Pâmela Alencar, a argentina Florencia Perrotti, Luca Terruggi, e uma irmã de Fábio, Giovana, nadadora amadora e nutricionista. Leonardo Santos, Gabriel Ogawa e Guilherme Basetto ficaram na casa até a última semana, mas acabaram mudando de planos. Quase todos são atletas do Pinheiros e têm convocações recentes às seleções, exceção a Terruggi, que também é o único que vai e vem.

A ideia de reunir o grupo partiu de Santi, uma semana e meia depois de o Pinheiros fechar o clube e suspender os treinamentos. Foram convidados os colegas que dividem apartamento com ele em São Paulo e o pessoal de outras duas repúblicas do Pinheiros, uma masculina e outra feminina.

"Não estava dando certo ficar no apartamento, todo mundo meio desanimado. Naquele momento [fim de março], a gente estava meio indefinido sobre o futuro, não sabia se ia ter Olimpíada, se ia cancelar, então a gente tava apreensivo ainda. Aí veio a ideia. Convidei o pessoal para vir para cá, e eles toparam", conta Santi.

Siga @Olhar_Olimpico

Como todos estavam em quarentena em casa há pelo menos uma semana e meia, sem sintomas de Covid-19, sentiram-se seguros de se unir. O Pinheiros cedeu equipamentos de preparação física, e os treinadores deram apoio. Como a casa é grande, os nadadores foram divididos em quatro quartos, com Florência sendo a única a dormir sozinha - o namorado dela, também nadador do Pinheiros, preferiu ficar em São Paulo estudando. Argentina, ela não conseguiu voltar ao seu país antes de as fronteiras fecharem.

Nadadores treinam juntos em piscina em Rio Preto - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O cuidado com o novo coronavírus é grande, eles dizem. Matheus Santana, um dos principais velocistas do país, é diabético e, portanto, está no grupo de risco. Terruggi passa o dia na casa e à noite volta para a casa da família, também em Rio Preto, mas não sai dessa rotina.

"Não é que ele fica saindo e encontrando amigos e essas coisas. A gente toma todos esses cuidados, vai ao mercado de máscara. Chega em casa, passa álcool para desinfetar tudo, lava legumes e frutas com coloro, deixa de molho. A gente tem o máximo de cuidado", diz Santi.

A casa é equipada com uma piscina de cerca de 9 metros, o que permite que os atletas continuem tendo contato com a água, algo fundamental para a sensibilidade de um nadador, mas não é possível dar muito mais do que duas braçadas por vez. Mesmo assim, todos treinam ao menos meia hora na piscina todos os dias, mesmo nos dias mais frios, seguindo planilhas enviadas pelos técnicos e preparadores físicos do Pinheiros.

Segundo Santi, não houve brigas quanto a questões polêmicas como lavagem de banheiro, cozinhar e lavar louça. A máquina de lavar roupa quebrou, mas ele mesmo consertou. O fato de a casa ser grande e equipada ajuda. Mesmo no calor, os nadadores quiseram ligar a sauna. A casa também tem quadra, onde os atletas jogam basquete, peteca e badminton. Junto à academia, está a mesa de tênis de mesa.

Na sala, War e pôquer são os jogos preferidos. "A gente aqui está dando uma fortalecida legal na amizade. Apesar de a gente conviver quase 24h dentro do clube, agora a gente está vivendo junto mesmo dentro da casa. A gente está conhecendo mais as pessoas", conta.

Na última semana, a casa teve as primeiras deserções. Leonardo Santos foi se juntar à namorada Larissa Oliveira, também nadadora, em Juiz de Fora (MG). Bassetto voltou para a casa da família, em Ribeirão Preto (SP), para tentar sossegar a avó, que estava sedenta para voltar a trabalhar. Já Gabriel Ogawa está com a família em São Paulo, onde vai passar o Dia das Mães.

Com o adiamento dos Jogos Olímpicos e a pandemia do novo coronavírus, todo o calendário da natação está suspenso, sem previsão de retorno. Entre as competições canceladas, estão o Campeonato Sul-Americano e a Seletiva Olímpica brasileira.