PUBLICIDADE
Topo

Maranhão monta equipe de atletismo para repetir medalha olímpica em Tóquio

Equipe medalhista de bronze no revezamento 4x100m em Pequim, com Codó (esq) e Bruno Lins (segurando a medalha com as duas mãos, ao centro) - Reprodução/Twitter
Equipe medalhista de bronze no revezamento 4x100m em Pequim, com Codó (esq) e Bruno Lins (segurando a medalha com as duas mãos, ao centro) Imagem: Reprodução/Twitter
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/05/2020 04h00

A sonhada medalha olímpica do revezamento 4x100m no atletismo dos Jogos Olímpicos de Tóquio passa pelo Maranhão. Quatro dos principais velocistas do país estão entre os sete contratados pela nova equipe do estado, a CT Maranhão/Pé de Asa: Rodrigo Nascimento, Vitor Hugo dos Santos, Flávio Gustavo Barbosa e o três vezes olímpico Bruno Lins.

O projeto é liderado por José Carlos Moreira, mais conhecido como Codó, apelido que faz referência à cidade maranhense onde nasceu. No ano passado, Codó se tornou o primeiro maranhense a conquistar uma medalha olímpica, ao receber, retroativamente, o bronze dos Jogos de Pequim-2008 no revezamento, depois da desclassificação da Jamaica de Usain Bolt.

Homenageado pelo governo estadual, se reuniu com o governador Flávio Dino (PCdoB) e apresentou um projeto na Lei de Incentivo estadual para montar quatro núcleos de formação de atletas em São Luís, Codó, Timon e Caxias. A ideia era que, a partir de 2021, depois da Olimpíada, fosse montada também uma equipe de alto-rendimento, visando Paris-2024. Mas com o adiamento dos Jogos de Tóquio, essa parte do plano foi antecipada.

Em momento de crise financeira na modalidade, foi difícil escolher apenas sete atletas para contratar. Mas era o que cabia no bolso. "A gente foi bastante procurado, recebeu muitas mensagens, telefonemas, pessoas que sabem de falta de condições, mas não temos condições, não temos a base pronta. A gente teve um xis valor e teve que escolher alguns nomes. A gente montou uma pequena equipe para futuramente ter condições de pegar outros atletas", explica Codó.

Siga @Olhar_Olimpico

Os destaques da equipe são Rodrigo Nascimento, titular da equipe campeã do Mundial de Revezamentos no ano passado, e Vitor Hugo dos Santos, que é o quarto brasileiro mais rápido da história e voltou à seleção no último Mundial de Atletismo. Os dois são candidatíssimos a formar o revezamento olímpico, assim como Paulo André, Derick Silva e Jorge Vides, do Pinheiros. Entre os também brigam por espaço estão outros dois reforços da equipe maranhense, Flávio Gustavo, que também esteve no time do último Mundial, e o veterano Bruno Lins, de 33 anos, que tem três Olimpíadas no currículo e foi bronze em Pequim com Codó.

Mesmo com apenas sete atletas, a equipe tende a ser uma das mais fortes do país, até porque um dos critérios para escolha dos contratados foi a chance de estar em Tóquio. Assim, também entraram no time os barreiristas Eduardo de Deus e Adely Santos, e o saltador Alexsandro Melo (o "Bolt'), que salta triplo e em distância. Eduardo e Bolt já têm índice olímpico.

"A gente ta tentando fazer o melhor possível para eles terem condições de treinar e competir. A gente tá dando todo apoio possível para eles terem tranquilidade, mas temos consciência que não é fácil. Queremos uma coisa fixa, firme, que ao menos dê tranquilidade para o atleta treinar e viajar, porque sabemos como é duro fazer uma campanha olímpica sem apoio", diz Codó.

O projeto é um alívio em momentos difíceis do atletismo, em que apenas dois clubes, o Pinheiros e o Sesi-SP, este bem menor, podem ser considerado profissionais. Atualmente em Campinas, com o nome de Orcampi, a antes poderosíssima Funilense sobrevive de Lei de Incentivo e não consegue pagar salários expressivos, ainda que mantenha um grande número de atletas federados.

Outros projetos menores, com o Instituto Elisângela Adriano (IEMA), voltado para a formação de atletas em São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, a Luasa-Taubaté, a ABDA-Bauru e a Memorial-Santos, dependem também de recursos públicos e empregam poucos atletas, sempre no estado de São Paulo.

Montar o CT Maranhão em São Luis é uma forma de tentar começar a impulsionar o atletismo também no Nordeste. "A gente está plantando a semente agora para colher lá na frente. Espero que um dia essa equipe cresça. Nós queremos formar atletas aqui, para que eles façam intercâmbio com São Paulo, Rio de Janeiro, mas tenham uma equipe aqui. Se tudo der certo, quem sabe, um dia, a gente tenha um centro de treinamento no Maranhão", sonha Codó. O estado tem apenas uma pista de atletismo oficial, na Universidade Federal do Maranhão. A pista do Castelinho está para ser reformada.

Olhar Olímpico