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Confederação vai à Justiça para tentar receber da Globo

Parque Aquático Maria Lenk, casa do Time Brasil - Carol Delmazon/Ministério do Esporte
Parque Aquático Maria Lenk, casa do Time Brasil Imagem: Carol Delmazon/Ministério do Esporte
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

05/05/2020 18h08

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) decidiu procurar a Justiça para receber da Globo a parcela mensal de um contrato de direitos de transmissão que foi assinado em 2009 e vale até o final do ano. Na semana passada o Grupo Globo informou a confederação sobre a decisão unilateral de suspender o contrato, alegando prejuízos com a crise causada pelo novo coronavírus e a falta de eventos para transmitir, ainda que não transmitisse nenhum há anos.

"Estamos trabalhando arduamente em medida judicial para compelir o Grupo Globo a retomar o pagamento do contrato de direitos de transmissão. Entendemos que da forma que ocorreu foi leviana a suspensão, levando em consideração que a informação veio na véspera do pagamento", comentou, em vídeo publicado pela entidade, o diretor jurídico Marcelo Jucá.

A emissora chegou a ter acordos com 16 confederações, mas foi deixando de renová-los quando de seus vencimentos. Atualmente, porém, a Globo só tem contrato com três entidades, uma delas a CBDA, por um contrato assinado ainda em 2009 e que segue garantindo cerca de R$ 260 mil por mês à confederação. A Globo continuou pagando mesmo sem transmitir nenhum evento da entidade há pelo menos dois anos.

O dinheiro, porém, é fundamental para a CBDA. A confederação tem prestações de contas rejeitadas com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e, por isso, não pode receber recursos da Lei Agnelo/Piva. No ano passado, os Correios não renovaram o contrato de patrocínio e a CBDA chegou a precisar instaurar o sistema de home office para economizar.

A crise derrubou o presidente Miguel em Cagnoni e a confederação hoje é administrada, na prática, por voluntários puxados por Renato Cordani. Esse grupo tem publicado mensalmente os demonstrativos financeiros da entidade. A única fonte fixa de recursos é o contrato com a Globo, que é o que paga a folha salarial de R$ 184 mil, além de dívidas trabalhistas e fiscais, e prestadores de serviços.

Em nota oficial divulgada na noite de domingo, a CBDA contou que só foi informada na quarta (29) que não receberia o pagamento no dia seguinte. "Diante dos fatos e da reconhecida crise financeira enfrentada pela Confederação, o aviso da suspensão do pagamento na véspera da data prevista em contrato afetou diretamente o fluxo de caixa da CBDA previsto para o fim de abril", comentou a entidade.

A CBDA deixou claro que a suspensão dos pagamentos afeta diretamente os funcionários, já que a confederação não tem poupança. "Por termos sido avisados na véspera da data de pagamento e em razão das famílias dos funcionários dependerem desta verba, que possui caráter alimentar, estamos seguros de que, pelo menos este mês, será honrado pelo Grupo Globo", continuou a CBDA.

Procurada, a Globo disse que "assim como diversas outras empresas em todo o mundo, precisou reavaliar o pagamento de futuros vencimentos de todos os seus contratos, em especial com entidades esportivas cujas competições ainda não têm data para voltar a acontecer" e, por isso, "infelizmente", suspendeu os pagamentos das parcelas do termo de parceria "enquanto perdurar a incerteza quanto aos impactos da pandemia na plena ou efetiva continuidade dos eventos". "Cada caso está sendo tratado segundo suas especificidades. Tendo em vista nossa histórica relação de respeito e apoio ao esporte brasileiro, avaliaremos o melhor caminho para todos quando os calendários forem novamente definidos.", continuou a empresa.

Em outubro do ano passado, o analista de marketing da Globo que lida diretamente com contratos com as confederações, Rafael Ganem, falou com o Olhar Olímpico sobre o acordo com a CBDA. "A gente fica com pena, com dó, a gente conversa com eles, mas a gente já tá refletindo sobre impactar na nossa imagem. É tanta coisa, tanta coisa que aparece?", afirmou na ocasião. Havia expectativa que a Globo ao menos transmitisse, este ano, a seletiva olímpica. Mas o torneio foi cancelado após o adiamento da Olimpíada.

Olhar Olímpico