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Thiago Braz prefere ficar na Itália e amarra vara em árvore para treinar

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

11/04/2020 04h00

Já classificado para a Olimpíada de Tóquio, Thiago Braz tem mais de um ano e três meses de preparação para defender a medalha de ouro conquistada no Rio. O adiamento dos Jogos não mudou os planos dos brasileiros, que estava em um camping na Itália quando o país se tornou o principal foco do novo coronavírus. Apesar das proibições de sair de casa, ele não tem planos para voltar ao Brasil, para perto da família, e está tendo que se virar para manter os treinos no grande quintal da casa onde está morando.

"A intenção era permanecer na Itália para ter o mesmo ciclo de quando conquistei o ouro olímpico. Infelizmente, o que não imaginava, aliás, nunca imaginei, é que pudéssemos viver um momento tão complicado e que poderia correr o risco de ficar sem treinar por meses. Apesar de estarmos na Itália, quando toda essa situação ficou mais alarmante, resolvemos permanecer no mesmo local, ao lado do meu técnico", explicou Thiago Braz, ao Olhar Olímpico.

Durante a maior parte da carreira, Thiago treinou e morou em Formia, ao sul de Roma, onde o treinador ucraniano Vitaly Petrov tem seu centro de treinamento. No fim de 2018, porém, o saltador decidiu voltar a morar no Brasil, em São Paulo, para ficar perto da família, especialmente dos avós, que o criaram. O planejamento era que ele voltasse a Formia na reta final da preparação olímpica, permanecendo lá durante o primeiro semestre de 2020.

As coisas começaram a ficar mais difíceis quando o centro de treinamento foi fechado, no último dia 14 de março, por determinação das autoridades locais. Nos dias anteriores, com as restrições de circulação, Thiago e outros atletas chegaram a morar no CT para poderem treinar. O Comitê Olímpico do Brasil (COB), que banca os treinamentos de Thiago na Itália, chegou a oferecer a ele a oportunidade de voltar ao Brasil, o que o saltador recusou. Segundo ele, a decisão de ficar na Itália foi tomada em conjunto com o próprio COB e com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

"Recusei, porque não era o momento de voltar no meio desta pandemia. Jamais me colocaria em risco e também não colocaria a vida de outras pessoas. Além disso, nós não sabíamos ainda o que seria decidido em relação aos Jogos Olímpicos. E agora, mesmo sabendo que não teremos os Jogos Olímpicos, a intenção continua a mesma: me preparar da melhor maneira possível para voltar aos treinos diários, com a melhor forma física possível", argumenta.

Thiago é rara exceção no esporte brasileiro. O COB fez um mapeamento de todos os atletas "olímpicos" que estavam fora do país e os auxiliou a retornar. Gabriel Constantino e Alison dos Santos, que estavam em camping nos Estados Unidos, foram os últimos. De resto, só permaneceram no exterior atletas com residência fixa lá por defenderem clubes locais, especialmente em modalidades coletivas, como vôlei, basquete e handebol. O saltador, porém, quis continuar na Itália.

Morando próximo ao centro de treinamento, ele continua tendo contato diário com o técnico Vitaly Petrov e com o filipino Ernest Obiena, atual campeão asiático. O quintal comum foi adaptado para receber treinamentos. Uma vara foi amarrada entre duas árvores para que os atletas treinassem os movimentos finais do salto. Sair de casa, só para ir ao supermercado e à farmácia, como no restante do país.

Olhar Olímpico