PUBLICIDADE
Topo

Atletismo cria buraco em processo de classificação e 2020 não valerá

Yulimar Rojas, estrela do atletismo venezuelano, é campeã mundial no salto triplo - Patrick Smith/REMOTE/Getty Images
Yulimar Rojas, estrela do atletismo venezuelano, é campeã mundial no salto triplo Imagem: Patrick Smith/REMOTE/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/04/2020 16h21

A World Athletics (antiga IAAF), federação internacional de atletismo, anunciou nesta terça-feira (7) que os resultados que vierem a ser obtidos durante a temporada 2020 não valerão como índice olímpico. Seguirão valendo as marcas obtidas em 2019, assim como a maior parte da temporada 2021, que começa em 1º de dezembro deste ano.

A paralisação na janela de obtenção de índices começou a valer ontem (6) e vai até o dia 30 de novembro. Os resultados durante este período também não vão valer para o novo formato de ranking mundial, que considera não só a marca, mas também a classificação e o nível da prova, e que também vale como critério de classificação para Tóquio-2020.

Para a grande maioria das provas de pista (exceção aos 10.000m e combinadas), o período de qualificação começou a valer em 1º de maio do ano passado e deveria seguir de forma contínua até 29 de junho de 2020. Mas os eventos deste ano começaram a ser paralisados ainda na temporada indoor, quando a China adiou para 2021 o Mundial previsto para março.

Depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elevou o status do Covid-19 para pandemia quando a temporada internacional estava para começar. Ainda que alguns eventos regionais tenha ocorrido, é como se a temporada 2020 outdoor ainda não tivesse começado. E nem há prazo para isso. As maratonas de abril, ideais para obtenção de índice, também foram todas canceladas, ou adiadas para o segundo semestre.

A decisão da World Athletics respeita a orientação do Comitê Olímpico Internacional (COI) de não retirar a elegibilidade de nenhum atleta já classificado e adapta os critérios para não aumentar expressivamente a janela de classificação. Com as novas regras, os atletas terão 18 meses para fazerem índice na maior parte das provas de pista, 22 meses nas provas de 10.000m, marcha atlética 20km, heptatlo e decatlo e 21 meses na maratona e na marcha atlética 50km. Em todos os casos são quatro meses a mais do que o previsto.

No Brasil, a Federação Paulista de Atletismo (FPA) chegou a organizar um torneio no dia 14 de março, quando já valia orientação para evitar aglomerações, visando dar oportunidades para os atletas fazerem índice. Ninguém conseguiu. Mesmo depois de a Olimpíada ser adiada, o COB manteve Alison dos Santos e Gabriel Constantino treinando nos Estados Unidos. Eles só retornaram nos últimos dias, porque se o centro de treinamento fechasse eles não teriam onde ficar.

A World Athletics foi uma das primeiras federações internacionais a defender publicamente o adiamento da Olimpíada. Assim que nova data foi marcada, para julho de 2021, a entidade anunciou o adiamento do Mundial de Eugene (EUA), de agosto de 2021 para 2022. Todos os eventos internacionais da modalidade previstos para acontecerem até o dia 23 de maio estão adiados.

Olhar Olímpico