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Babu lutou boxe para ser Maguila e chorou na torcida por amigo na Rio-2016

Babu Santana - Reprodução/Instagram
Babu Santana Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/04/2020 04h00

Entre as muitas mensagens de parabéns recebidas na noite daquele histórico dia 6 de agosto, em que venceu por pontos o camaronês Hassam N'Jikam, ex-campeão mundial da categoria entre os profissionais, uma nunca saiu da cabeça do carioca Michel Borges. "Moleque, tu fez um homem de 1,83m chorar de emoção... eu! Quer orgulho de você. Deus de abençoe. Vai com garra, até as últimas forças. Tô rezando e na torcida por você. Quer orgulho, que orgulho, que orgulho do Vidigal, orgulho do Brasil. do Vidigal para o mundo", escreveu um conhecido de longa data. O Brasil agora conhece bem o choro daquele homem de 1,83m, a quem chama de Babu.

"Ele me viu crescer. Ele sempre foi amigo da minha família, dos meus primos. Era meu vizinho. Minha casa era na parte de cima, estava sempre estava vendo ele, ele sempre me acompanhou. Foi um cara que sempre torceu por mim, sempre incentiva. É um fera como ator e como pessoa nem se fala. O Vidigal, o Rio e muita gente agora tá torcendo por ele", conta Michel, cria do Vidigal como Babu.

O participante da 20ª edição do Big Brother acompanhou pela televisão o feito do moleque que viu conhecia desde moleque e não se envergonhou de se emocionar mais uma vez, na luta seguinte, contra o croata Hrvoje Sep. "Fiquei tão nervoso que fui pro quarto e fiquei rezando por ti e só voltei na hora do resultado, e mais uma vez fui às lágrimas. Vai lá e busca a medalha de ouro. Nós acreditamos em você. O Brasil acredita em você. Faz justiça que da última vez garfaram a gente. Acredita e atropela esse cubano", escreveu Babu. Na luta seguinte, Michel perdeu foi eliminado pelo cubano Julio Cesar La Cruz, então tricampeão mundial, que acabou com o ouro na Rio-2016.

Babu chegou a treinar na mesma academia que Michel e que outro boxeador olímpico brasileiro do Vidigal, Patrick Lourenço. Foi em 2015, quando Babu pediu ao amigo Raff Giglio para aprender a ser um boxeador e poder interpretar Maguila no cinema. O ator, que havia acabado de interpretar outro peso pesado no cinema, Tim Maia, teve que perder cerca de 25 quilos para se encaixar no novo personagem. As aulas aconteceram no Instituto Todas na Luta, projeto social/academia de boxe que Giglio mantém há mais de duas décadas no Morro do Vidigal.

"Muito antes do BBB, muito antes de treinar boxe aqui para o filme, ele é meu amigo. Ele é do (Grupo de Teatro) Nós do Morro, ele já era meu amigo, meu chapa. Quando pintou convite para fazer o filme do Maguila e ele topou, imediatamente ele me procurou. Aí ele começou, treinar firme, e aí ficou uns dois meses treinando forte", lembra Giglio, que elogia a dedicação do amigo. "Ele era focadíssimo, treinava amarradão. Ele amou a ideia de fazer o Maguila."

O projeto, porém, não foi para frente. Os produtores não conseguiram o patrocínio esperado e botaram o projeto em stand-by, como está até hoje. Não deu tempo de Babu, que primeiro aprendeu a dar golpes, ir para o passo seguinte. "Eu estava ensinando boxe de uma forma geral. Aí como eu acompanhei, conheço o Maguila, vi muita luta dele e tal, depois numa segunda fase eu ia passar para ele o estilão do Maguila. Ia assistir junto com ele: 'Olha como ele faz, olha o jogo de perna'. Ia passar isso para ele", explica.

O filme nunca foi filmado, mas Giglio e Babu continuaram próximos. O último encontro deles, pelo que lembra Giglio, foi num dos shows da banda Babu Santana e os Cabeças de Água Viva que ele assistiu a convite do amigo. "A última vez foi num show num terração que tem aqui na minha rua, ele fez um show lá. Ele canta pra caramba, canta Tim Maia, outras paradinhas, arrebenta", elogia o treinador.

Babu não é o primeiro aluno da escola de boxe de Giglio que chega ao Big Brother. Harry, quinto colocado do BBB3, também foi seu aluno. Mas a torcida por Babu é diferente. "Ele é o único homem. Aquele monte de mulher bonitona vai ganhar dinheiro pra caramba. Vão ser convidadas para fazer presença VIP, fazer programa de TV, ganhar cachê. O Babu é artista que tá aí na luta, paga aluguel, preto, da favela, que não é galã lindão, não é bonitão. Não é um Malvino Salvador da vida", diz o treinador, em referência a outro grande amigo.

Enquanto Babu luta por um prêmio de R$ 1,5 milhão no BBB, o Instituto Todos na Luta está fechado, por causa do coronavírus. O treinador tem se dedicado a ajudar famílias do Vidigal que estão sofrendo com a crise. Já doou 84 cestas básicas e promete doar outras 90 na semana que vem, e pelo menos 80 na seguinte. Ele está arrecadando doações pela conta do Instituto, disponível aqui. Cada par de cesta com alimentos + produtos de limpeza/higiene custa R$ 99. O Grupo de Teatro Nós do Morro, escola que formou Babu, também está arrecadando doações para o Vidigal. Informações aqui.