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Regra da Olimpíada já permite jogadores de futebol de 24 anos em Tóquio

Matheus Cunha e Bruno Guimarães são destaques da seleção no Pré-Olímpico - Lucas Figueiredo/CBF
Matheus Cunha e Bruno Guimarães são destaques da seleção no Pré-Olímpico Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

01/04/2020 04h00

Desde a confirmação do Japão de que os Jogos Olímpicos seriam disputados em 2021, jogadores de futebol do Brasil e do exterior têm feito campanha para que atletas de 24 anos possam disputar o evento no ano que vem. O problema é que, pelas regras, não era necessário pedir mudança nenhuma.

Os mesmos jogadores que poderiam disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 no futebol poderão disputá-los também em 2021, a não ser que a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) alterem as regras no meio do campeonato, o que nada indica que vá acontecer. Não faz diferença se eles terão 23 ou 24 anos quando os Jogos foram disputados.

Por mais que seja comum descrever o torneio olímpico masculino como sendo "sub-23", na prática não é a idade do atleta que determina sua elegibilidade, mas sua data de nascimento. Gabriel Jesus, por exemplo, completa 23 anos na próxima sexta-feira (3) e, mesmo assim, poderia disputar o torneio "sub-23". É que ele cumpre a regra de ter nascido a partir de 1º de janeiro de 1997.

Antes do início do período de classificação, todas as federações internacionais publicam em francês e inglês um documento padronizado com seus "sistemas de classificação", que determina como serão distribuídas as vagas olímpicas e os critérios de elegibilidade — quem pode e quem não pode disputar a Olimpíada. No caso do futebol, a Fifa tem como padrão considerar que as eliminatórias de um torneio são a "fase preliminar" e o torneio em si a "fase final". Vale para a Copa, vale para a Olimpíada.

No documento da Fifa, aparece escrito que: "Todos os atletas participando da fase final de competições do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 devem ter nascido em ou depois de 1º de janeiro de 1997, com exceção de no máximo três atletas mais velhos que podem ser incluídos na lista oficial de jogadores". A regra, sem a exceção, vale também para os torneios qualificatórios, porque é padrão que quem ajudou a classificar esteja, depois, elegível para disputar a Olimpíada.

A única hipótese para atletas nascidos em 1997 serem impedidos de disputarem os Jogos Olímpicos é a Fifa alterar os critérios com a competição já em andamento. Das 16 vagas na fase final, 14 já foram atribuídas, faltando apenas o Pré-Olímpico da Concacaf, que daria duas vagas e deveria estar acontecendo agora no México, mas foi adiado por causa do coronavírus. A Fifa e o COI, porém, até agora não demonstraram qualquer intenção de fazer essa mudança. O comitê tem batido na tecla que as vagas já conquistadas serão mantidas por países e atletas e que não quer que o adiamento da Olimpíada tire de ninguém o sonho de estar em Tóquio. A não ser que esse cenário tenha uma mudança radical, quem era elegível para os Jogos em 2020 continua elegível para os Jogos em 2021.

Olhar Olímpico