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Relato de campeão olímpico com Covid-19 contraria Bolsonaro sobre atletas

Medalhista olímpico e recordista mundial, o sul-africano Cameron Van Der Burgh faturou os 100m peito em Dubai - AFP
Medalhista olímpico e recordista mundial, o sul-africano Cameron Van Der Burgh faturou os 100m peito em Dubai Imagem: AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/03/2020 21h09

"De longe, o pior vírus que já sofri. Qualquer atividade física como andar me deixa exausto por horas. A perda de condicionamento no corpo tem sido imensa." O relato sobre como é ter o coronavírus não é de um idoso, nem de um portador de doença crônica, considerados os grupos de risco do Covid-19, mas do campeão olímpico de natação Cameron Van der Burgh, sul-africano de apenas 31 anos.

"A perda de condicionamento corporal foi imensa e só pode ser sentida pelos atletas que contraem a covid-19, pois sofrerão uma grande perda de condicionamento atual durante o último ciclo de treinamento. A infecção mais próxima da competição é a pior", contou o nadador, ouro nos 100m peito em Londres e prata no Rio.

O relato do sul-africano contradiz declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, que em pronunciamento em cadeia de televisão nesta terça-feira disse que não correr qualquer risco de sofrer as consequências do coronavírus porque, apesar dos 65 anos, diz ter sido "atleta" no passado.

Van der Burgh não é o único atleta de alto rendimento a sofrer com o Covid-19. Earvin Ngapeth, jogador francês de vôlei, considerado um dos melhores do mundo, passou três dias na UTI na Rússia. Ele tem apenas 29 anos. "Já deixei para trás o mais difícil. Passei três dias complicados, mas agora acabou, vou deixar o hospital em uma semana", postou o jogador no Instagram.

Rudy Gobert, do Utah Jazz, da NBA, primeiro jogador da liga a assumir estar com a doença, relatou que perdeu o olfato. "Só para atualizar a vocês, a perda de olfato e paladar é definitivamente um dos sintomas, não foi possível sentir o cheiro de nada nos últimos quatro dias. Alguém experimentando a mesma coisa?", escreveu os atletas nas redes sociais ontem.