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Cartola com coronavírus, Euro e Copa América põem pressão sobre Tóquio

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em discurso sobre a importância da Olimpíada de 2020, em Tóquio - Kim Kyung-Hoon/Reuters
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em discurso sobre a importância da Olimpíada de 2020, em Tóquio Imagem: Kim Kyung-Hoon/Reuters
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/03/2020 11h18

O governo japonês parece continuar firme no propósito de manter os Jogos Olímpicos de Tóquio para a data planejada, mas a maré começa a virar exatamente no dia em que o Comitê Olímpico Internacional (COI) se reúne com federações para discutir sua posição. Só nesta terça-feira (17) três notícias vindas de locais diferentes reforçaram a tese daqueles que defendem o adiamento: a Conmebol adiou a Copa América de 2020 para 2021, a Uefa adiou a Euro de 2020 para 2021, e um cartola importante do movimento olímpico japonês está com coronavírus.

O infectado é Kozo Tashima, presidente da Associação Japonesa de Futebol e um dos vice-presidentes do Comitê Olímpico Japonês, que viajou para a Europa para reunião com membros da Uefa em Amsterdã (Holanda) e também esteve nos Estados Unidos. O dirigente, de 62 anos, é prova viva de que não basta o Japão tomar todas as medidas de precaução para organizar a Olimpíada se o restante do mundo trava uma batalha feroz contra o coronavírus.

"Tenho febre. Exames mostraram sintomas de pneumonia, mas estou bem. Me concentrarei no tratamento que os médicos me passaram", comentou o dirigente, que tem 62 anos. "Em Amsterdã e na Europa, no começo de março, o nível de nervosismo sobre o novo coronavírus não era o mesmo de agora. Todos se abraçavam, apertavam as mãos e se beijavam", argumentou.

Também nesta terça-feira, o Comitê Organizador precisou voltar atrás da decisão de realizar o tour da tocha olímpica com a presença de público. Ao menos o início do revezamento, agendado para 26 de março, na região de Fukushima, vai ocorrer sem público "para evitar a propagação das infecções". Moradores poderão acompanhar de longe, mas é pedido que quem esteja doente não saia de casa.

O esporte mundial está praticamente inteiro parado. A última competição internacional que estava sendo realizada, sob protestos, foi suspensa ontem (16). Era o Pré-Olímpico Europeu de Boxe, organizado exatamente pelo COI, porque a Aiba, a federação de boxe amador, está cumprindo punição.

O COI suportou a pressão e começou o torneio no sábado, em Londres, apesar da ausência de diversos lutadores, que deram W.O. por estarem impossibilitados de viajar. No domingo a organização decidiu fechar os portões e proibir a presença de público. Na segunda, paralisou o torneio no meio.

Em contraponto, na China o esporte voltou também ontem, com a realização de uma competição indoor de atletismo, sem público. A modalidade ficou sete semanas sem competições. Se nas Américas for necessário o mesmo prazo, então o esporte só volta no início de maio, quando restarão pouco mais de dois meses para a Olimpíada. Tempo considerado insuficiente para a preparação para o evento máximo do esporte.

Olhar Olímpico