PUBLICIDADE
Topo

Zarif leva suspensão de seis meses e fica liberado para Olimpíada

Jorge Zarif participa de evento-teste das Olimpíadas do Rio na classe Finn da vela - Getty Images
Jorge Zarif participa de evento-teste das Olimpíadas do Rio na classe Finn da vela Imagem: Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/03/2020 21h49

O velejador brasileiro Jorge Zarif, de 27 anos, está liberado a voltar às competições desta sexta-feira (13), quando ele foi jugado por doping em primeira instância pelo Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD), em Brasília. O atleta, campeão mundial da Finn em 2013 e já classificado para a Olimpíada de Tóquio, foi suspenso por seis meses, já cumpridos. De acordo com a defesa dele, liderada pelo advogado Bichara Neto, a suspensão é retroativa à data da coleta: 15 de agosto. A Agência Mundial Antidoping e a procuradoria do TJD-AD ainda podem recorrer da decisão.

O resultado analítico adverso foi revelado em janeiro pelo próprio velejador, em postagem nas redes sociais. "Jamais fiz uso de uma substância proibida para obter qualquer vantagem indevida. Fiz uso do tamoxifeno para tratar de uma condição médica que estava me deixando com dor e com os movimentos limitados", disse Zarif na ocasião.

No Instagram ele detalhou que em junho de 2019 submeteu-se a um tratamento indicado por seu mastologista para combater sintomas de ginecomastia bilateral, doença que causa o aumento das mamas. A ginecomastia vinha lhe causando dores e limitava seus movimentos. "Ressalto que optei pelo uso do tamoxifeno porque a outra opção seria a cirurgia, que me obrigaria a ficar quase dois meses afastado, sem poder mexer meus braços, perto de duas competições importantes", explicou.

O Olhar Olímpico apurou que ele procurou o médico para tratar de uma doença que costuma ser constrangedora sem contar a ninguém. Depois, teria procurado a substância no código antidoping, mas não a encontrou. O exame que deu positivo foi colhido durante o Evento-Teste da Olimpíada de Tóquio, no Japão, em agosto do ano passado. Sem temer ser pego, Jorginho foi até o encontro do oficial antidoping que o procurou fora do horário permitido - ele poderia simplesmente ter se recusado a ser testado, sem qualquer risco de punição.

Antes de receitar uma substância proibida a um atleta de alto-rendimento, o médico precisava ter solicitado à Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) uma Autorização de Uso Terapêutico (AUT), documento que, se aprovado por uma comissão da ABCD, autorizaria o tratamento. Após a notificação, foi feito um pedido retroativo, anexado a diversos exames. A World Sailing concedeu a AUT retroativa, mas a Agência Mundial Antidoping (Wada) não.

Como o doping na vela é muito raro, a World Sailing sequer tem um painel antidoping e optou por remeter o caso à Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), para que Zarif fosse julgado no Brasil. Liberado, ele poderia competir inclusive no Troféu Princesa Sofia, na Espanha, mas a competição foi cancelada por causa do novo coronavírus.

Olhar Olímpico