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Doria rejeita fechar estádios e usa economia como justificativa

Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, substituiu a grama natural pela sintética no começo de 2020 - Divulgação/Allianz Parque
Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, substituiu a grama natural pela sintética no começo de 2020 Imagem: Divulgação/Allianz Parque
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/03/2020 12h55

Com Alex Tajra, do UOL

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou hoje (12) que o estado ainda não cogita implementar qualquer medida restritiva para evitar a propagação do novo coronavírus no estado. Enquanto governos e organizadores de eventos do mundo todo anunciam cancelamentos ou imposição de portões fechados, em São Paulo tudo continuará como está, pelo menos até segunda ordem. Em entrevista coletiva, perguntado sobre a possibilidade de fechar portões de estádios, por exemplo, Doria usou a economia como justificativa para não tomar medidas drásticas.

""Os eventos neste momento, nesta data, não há nenhuma recomendação para o cancelamento de eventos, esportivos, musicais, de entretenimento ou conteúdo. Temos que ter cuidado para não levar pânico, que é um efeito extremamente nocivo para a economia de uma cidade, de um estado, de um país", disse Doria, depois de ressaltar que as decisões tomadas pelo seu governo não são "de ordem administrativa, nem política, mas sanitária", citando o Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo, coordenado pelo infectologista David Uip.

No entender de Doria, é preciso ter "bom senso" para tomar medidas restritivas. "Lidamos com vidas, atitudes e atividades. Não é razoável paralisar um estado com quase 46 milhões de habitantes. Uma medida como essa ao ser adotada deve ser adotada com fundamento claro e na hora correta. A ação preventiva não é precipitativa, é feita na hora certa. Ao precipitar desencadeamos um processo que impacta na renda, na receita, na organização, no comportamento psicológico da pessoa."

David Uip, porém, deixou claro que a decisão vale hoje, mas pode não valer amanhã. "As medidas não são aplicáveis hoje, mas poderão ser aplicadas amanhã. Não faz sentido fechar o estado de São Paulo porque tem 46 casos. Mas essa é a decisão para o dia 12 de março às 12 horas. Ainda teremos que ter o entendimento de como esse vírus vai ser distribuído no estado de São Paulo. São aprendizados. Temos 46 diagnosticados, 44 na capital. Aqui não tem chute. Aqui é estudo epidemiológico. É ciência, entendimento e compreensão dos fatos no dia a dia."

Ontem, o Morumbi recebeu cerca de 40 mil torcedores do São Paulo em partida da Libertadores contra a LDU. No sábado o estádio deve novamente receber bom público para São Paulo x Santos. No domingo, o Corinthians recebe o Ituano, também pelo Campeonato Paulista. Além do futebol, o estado também está prestes a receber eventos como os playoffs da Superliga de Vôlei, o Jogo das Estrelas do NBB e a Maratona de São Paulo. Por enquanto, só o Distrito Federal impôs restrições a aglomerações, o que coloca em risco o UFC deste sábado (14), que tinha previsão de receber 15 mil espectadores.