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Coronavírus faz atletas desistirem de viajar e dá dor de cabeça financeira

28.fev.2020 - Preocupada com coronavírus, turista usa máscara de proteção perto do Coliseu, em Roma, uma das principais atrações turísticas da Itália - Andreas Solaro/AFP
28.fev.2020 - Preocupada com coronavírus, turista usa máscara de proteção perto do Coliseu, em Roma, uma das principais atrações turísticas da Itália Imagem: Andreas Solaro/AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/03/2020 17h04

Onze nadadores brasileiros estavam inscritos para participar de um torneio de natação em Marselha (França), agora em março, mas todos avisaram a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) que preferem ficar em seus clubes. Oito mesa-tenistas paraolímpicos, quando perguntados, também escolheram não viajar para uma competição na Espanha. A seleção masculina de polo aquático deverá ter que desistir de uma viagem à Itália, onde se prepararia em busca da vaga olímpica.

O surto do novo coronavírus, que se espalha pelo mundo, vem causando problemas para diversos atletas brasileiros que se prepararam ou tentam classificação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio e virou uma dor de cabeça financeira para as entidades que usam recursos públicos para contratar viagens aéreas e hospedagens.

Na última sexta-feira, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) reuniu os oito atletas convocados para disputarem uma etapa do Circuito Mundial Paraolímpico na Espanha e deixou que cada jogador tomasse a decisão de viajar ou não para o país onde, até sexta, 33 casos de coronavírus haviam sido confirmado. Todos optaram por não viajar.

Mas as passagens já estavam compradas, com dinheiro da Lei Agnelo/Piva. Para justificar o gasto com uma passagem aérea, a confederação precisa apresentar o canhoto do bilhete. Como ninguém embarcou, não há comprovantes. A entidade conta com a sensibilidade das companhias aéreas para conseguir o reembolso das passagens. Caso não consiga, terá que arcar com o prejuízo, assim como vai acontecer com a taxa de inscrição.

A situação tem preocupado entidades que lidam com recursos públicos. No caso da viagem de parte da seleção de natação para a França, por exemplo, a demora na compra dessas passagens, em específico, fez com que a desistência não se configure em prejuízo. Mas outra parte da seleção tem viagem marcada para a Holanda, em abril, e neste caso tudo já está pago.

Casos assim se multiplicam no esporte olímpico e paraolímpico brasileiro. A seleção de natação paraolímpica viajou para a Itália no sábado de carnaval, chegou lá no domingo e descobriu que a competição que disputaria havia sido cancelada. Voltou no dia seguinte. Depois disso, o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) baixou determinação para que as modalidades geridas diretamente por ele (sem confederação), como atletismo e natação, só façam viagens ao exterior que sejam essenciais para a classificação a Tóquio.

No caso do COB existe uma recomendação para que os atletas evitem a China e a Coreia do Sul. Isso fez com que um estágio de treinamento do arqueiro Marcus Vinicius D'Almeida na Coreia, principal escola do tiro do arco, tenha sido cancelado. Guilherme Costa, da natação, também teve que cancelar uma viagem que faria à Itália - o torneio para o qual ele ia foi cancelado.

Barreiras sanitárias impostas a países com muitos casos de coronavírus, como a Itália, também têm atrapalhado o planejamento. É o caso da seleção masculina de polo aquático, que passaria pela Itália antes de jogar o Pré-Olímpico na Holanda, onde quem chega de território italiano precisa ficar de quarentena.

Essas barreiras e notícias de novos cancelamentos de torneio têm surgido todos os dias, ficando o temor de que planejamentos feitos há meses precisem ser mudados. É o caso dos saltos ornamentais, que não sabem se conseguirão realizar o Pré-Olímpico no Japão. Ou da ginástica artística, que tem dúvidas se poderá levar Rebeca Andrade para duas Copas do Mundo, em Baku (Azerbaijão) e Doha (Qatar). Hoje (3) foi a vez do judô cancelar uma competição em Rabat (Marrocos), que aconteceria no fim de semana. Os brasileiros já estavam com as malas prontas quando ficaram sabendo que não iriam mais viajar.