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Olhar Olímpico

Bi mundial lutará contra atletas 15kg mais pesados por 1ª e única Olimpíada

Douglas Brose na final dos Jogos Pan-Americanos de Lima - Washington Alves/COB
Douglas Brose na final dos Jogos Pan-Americanos de Lima Imagem: Washington Alves/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

29/02/2020 04h00

Douglas Brose chegou aos 34 anos tendo no currículo todos os títulos que um carateca poderia colecionar. Foi duas vezes campeão mundial, em 2010 e 2014, ganhou ouro nos Jogos Pan-Americanos e nos Sul-Americanos, e em diversos eventos de circuito mundial. Tudo indicava que seria ele a grande esperança do Brasil na estreia do caratê como modalidade olímpica, em Tóquio, mas o gaúcho foi superado pelo paulista Vinicius Figueira e não tem chances mais de conseguir a vaga em sua categoria.

O sonho, porém, não morreu. Em sua primeira e única oportunidade de disputar uma Olimpíada, uma vez que o caratê já está definitivamente fora dos Jogos de Paris, em 2024, Brose vai para o tudo ou nada disputando o Pré-Olímpico mundial na categoria até 75kg, contra atletas quinze quilos mais pesados que ele.

"Sempre soube que uma vaga olímpica não seria fácil, mas minha disputa nunca foi contra um atleta específico, foi sempre contra os atletas da minha categoria. Um pouco antes de começar o ranking olímpico, eu era o primeiro do ranking mundial, infelizmente acabei me lesionando muito grave e isso acabou com toda a preparação que estava fazendo. Tive que começar literalmente tudo do zero", lembra o carateca.

Na estreia como modalidade olímpica, o caratê ganhou apenas 80 credenciais de Tóquio, cerca de 20% do que tem o judô. Por isso, não serão disputadas cinco categorias de peso no kumitê (confronto), como de costume, mas apenas três. No caso da categoria até 67kg, por exemplo, duas vagas vêm pelo ranking olímpico desta categoria e outras duas pela da até 60kg, na qual Brose ganhou medalha em quatro Mundiais.

Quando a corrida olímpica começou, Brose era líder do ranking mundial. Mas uma lesão no pé o afastou das competições durante boa parte de 2018 e, no retorno, os resultados não se mantiveram no mesmo nível. Desde então, o brasileiro não foi ao pódio de nenhuma etapa de Premier League (torneios mais importantes do circuito), ainda que tenha ganhado o Campeonato Pan-Americano. Faltando pouco mais de um mês para o fim da corrida, ainda que seja o quinto do ranking na sua categoria, ele já não tem como chegar à pontuação que Figueira, prata no Mundial de 2018, tem numa categoria acima.

A solução para não deixar o sonho morrer foi ocupar uma lacuna do caratê brasileiro, que não tem nenhum atleta da categoria até 75kg competindo com regularidade no circuito internacional. Sabendo dessa deficiência, Brose se inscreveu para lutar a seletiva nacional desta categoria, chegou ao peso mínimo necessário, 67,1kg, e faturou o título. Com isso, ele ganhou o direito de representar o Brasil no Pré-Olímpico Mundial, que vai acontecer em Paris, em maio, e distribuiu três vagas olímpicas por categoria.

A programação, segundo ele, não é de engordar tanto. "Não irei ganhar tanto peso, já que meu peso atual é 65kg, nosso planejamento é aumentar um pouco a carga de treino de força para chegar a 68kg e ficar próximo do limite mínimo da categoria para não perder uma das minhas vantagens que é a velocidade", explicou.

Faltando serem computados dois torneios para o fechamento do ranking olímpico, Vinicius Figueira atualmente é o segundo colocado na até 67kg e tem pouca vantagem sobre o egípcio Ali El-Sawy, - ontem (28), no primeiro dia da etapa de Salzburg, o brasileiro caiu nas quartas de final e o rival avançou para disputar o bronze. Outra estrela brasileira da modalidade, Valeria Kumizaki, bicampeã dos Jogos Pan-Americanos, é somente a 20ª na soma das categorias até 50kg e até 55kg, e já não tem chances pelo ranking olímpico, apesar de lutar hoje (29) pelo bronze na Áustria.

A esperança dela é a vaga pelos Jogos Pan-Americanos de Lima, do ano passado. É que duas vagas, no total, serão distribuídas aos medalhistas de ouro do Pan. Os escolhidos serão os que fecharem o ranking mundial em melhores posições - exceto aqueles que conseguirem a vaga pelo ranking ou pelo Pré-Olímpico.

Valéria depende de uma combinação de resultados que, hoje, está funcionado. Três campeões do Pan estão com a última vaga de suas categorias pelo ranking, deixando a primeira vaga continental para uma peruana que é nona colocada. Valéria é a segunda dessa lista, seguida de perto pelo pesado norte-americano Brian Irr, 21º, com quem disputa diretamente uma vaga olímpica hoje. Douglas ficaria com uma vaga por esse critério se tivesse sido ouro no Pan. Mas ele foi prata na competição, derrotado pelo chileno Joaquín Lavín,