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Novo secretário de esporte quer proibir bolsa a atletas que têm patrocínio

Marcello Magalhães, novo diretor da EGLO, e Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook
Marcello Magalhães, novo diretor da EGLO, e Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução/Facebook
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/02/2020 20h20

Os atletas que receberam Bolsa Atleta nos últimos anos mesmo tendo contratos particulares de patrocínio devem ser investigados por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). A opinião é do novo secretário especial do Esporte, Marcello Magalhães, e foi compartilhada no Facebook em outubro do ano passado.

"Eu quero a CPI do Bolsa Atleta e que me chamem para depor, eu vou com grande satisfação, por que tinham atletas com vários patrocínios que eu cansei de alertar que não era correto e mesmo assim continuavam recebendo a grana. Eu nunca fui de pipocar para ninguém não, hein!", postou Magalhães.

Em rápido contato com a reportagem na tarde desta quinta-feira (27), o futuro secretário disse que não irá conceder entrevistas enquanto não for oficialmente nomeado, mas que, quando assumir, vai "estudar todos os casos". "Iremos rever todos os critérios já existentes, buscando o melhor", afirmou.

O empresário foi agente de atletas, tendo ficado conhecido no mercado por ter trabalhado com as gêmeas Bia e Branca Feres, que sempre tiveram bons contratos de patrocínio e apoio do Bolsa Atleta. O fim da relação entre elas e o novo secretário foi traumático, com acusações de parte a parte, mas elas optaram por não contar detalhes quando contatadas pelo blog.

A lei que rege o Bolsa Atleta não versa sobre a concomitância com patrocínios privados. Isso é regulado por portaria que exige que, no ato da inscrição, o atleta entregue declaração sobre valores recebidos como patrocínio de pessoas jurídicas públicas ou privadas, incluindo qualquer montante percebido eventual ou regularmente, diverso do salário, e qualquer tipo de apoio em troca de vinculação de marca.

Hoje o principal concorrente da Secretaria Especial do Esporte por visibilidade de patrocínios é o Ministério da Defesa, que apoia, por contratações anuais, atletas que fazem parte da elite do esporte e que sobrevivem com a soma dos benefícios.

Eventual proibição de pagamento de Bolsa Atleta a atletas patrocinados teria baixo potencial de economia para governo, uma vez que são raros os atletas que ganham com patrocínio mais do que ganham com a bolsa. Com isso, o Bolsa Atleta perderia visibilidade, porque deixaria de apoiar atletas de ponta, que mais obtêm resultados. Além disso, a tendência seria atletas que recebem pequenos apoios de marcas abrirem mão dessa ajuda particular, tendo ainda mais dificuldade de sobreviver do esporte.