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Sem dinheiro, COB desiste de montar Casa Brasil na Olimpíada após 24 anos

Casa Brasil em Londres - Divulgação / Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016
Casa Brasil em Londres Imagem: Divulgação / Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/02/2020 11h33

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) decidiu romper uma tradição que vinha desde 1996 e não terá um espaço aberto ao público nos Jogos Olímpicos de Tóquio (Japão), entre julho e agosto. A decisão está relacionada à falta de recursos do comitê, que não conseguiu patrocinador privado para arcar com todos os custos do projeto, valor superior a R$ 14 milhões. Nos Jogos do Rio, 53 países tiveram suas "casa de hospitalidade", sendo que 19 foram abertas ao público.

A decisão foi tomada ontem, quando o Conselho de Administração do comitê se reuniu em Brasília. Em nota, o COB disse que a decisão foi tomada "devido à incerteza trazida pela variação do dólar e ao alto custo do Japão, embora já tivesse captado cerca de 40% do valor estimado para a organização do espaço". Esse mesmo conselho havia determinado, em outubro, que o COB só arcasse com 50% do valor total, mas desde então o dólar já subiu 10%.

Para levar adiante o projeto, o COB ainda precisava investir do próprio bolso algo em torno de R$ 9 milhões, valor expressivo para um comitê que tem uma parcela ínfima de sua receita desvinculada da Lei Agnelo/Piva. O COB recebe por ano cerca de R$ 10 milhões do Comitê Olímpico Internacional (COI), em troca de visibilidade para as marcas que patrocinam os Jogos Olímpicos. Fora isso, só tem dois patrocinadores: Peak, que paga fornecendo material esportivo, e Estácio, com quem tem grande acordo de permuta na área de educação.

A falta de patrocinadores sempre foi o grande desafio do COB no ciclo olímpico para Tóquio. Até 2016 o comitê se viu proibido de ter patrocinadores próprios, sendo bem remunerado para ser exclusivo dos apoiadores da Rio-2016. Depois disso, quando voltou ao mercado, encontrou um setor desaquecido e desconfiado da credibilidade do comitê, que mais uma vez está em crise - inclusive contratou uma empresa para gerenciar esta crise.

Parceiro na organização da Casa Brasil em outras ocasiões, o governo federal não entrou no projeto desta vez. Em 2008, por exemplo a Casa Brasil teve 80% dos seus custos bancados por Ministério do Turismo, Ministério do Esporte e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex),. O COB só gastou R$ 2 milhões.

Mesmo sem apoio governamental, o COB arriscou e aprovou pagar mais de R$ 700 mil ainda em 2019 como sinal pela locação por R$ 1,4 milhão de um terreno em Tóquio. No fim, segundo o COB, nenhum valor foi pago. Só o "Festival Time Brasil". custaria mais R$ 1,8 milhão. Outra parceira, a Globo receberia espaço gratuito para montar um estúdio no espaço, pelo que apurou o Olhar Olímpico.

Sem a Casa Brasil, o COB vai investir em um novo projeto, o Olympic Fest Time Brasil, em São Paulo, nos finais de semana dos Jogos Olímpicos. "O festival vai oferecer ao público atrações variadas, misturando esporte e entretenimento, para fortalecer a torcida pelos atletas. Estão previstas a transmissão dos Jogos, diversas experimentações esportivas e a presença da mascote Ginga. O local será ainda um espaço de celebração das conquistas brasileiras, já que os medalhistas olímpicos passarão por lá assim que voltarem dos Jogos, comemorando suas vitórias junto aos fãs", explicou o comitê, em nota.

Olhar Olímpico