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Emerson Fittipaldi culpa Globo por ausência de brasileiros na F1

Ex-piloto Emerson Fittipaldi - Greg Salibian/Folhapress
Ex-piloto Emerson Fittipaldi Imagem: Greg Salibian/Folhapress
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/02/2020 04h00

A TV Globo tem responsabilidade sobre a ausência de brasileiros no grid da Fórmula 1. A avaliação é do primeiro brasileiro a fazer sucesso na principal categoria do automobilismo mundial, Emerson Fittipaldi, que reclama que a emissora carioca deveria ter reinvestido na formação de novos pilotos.

"O brasileiro, infelizmente, os empresários, o governo brasileiro, a própria Globo, não investiram o que tinham que investir no esporte de base, que é o kart, uma fórmula, um turismo. Esqueceram. Então não temos nenhum brasileiro na F1. Na América Latina só tem o (mexicano) Sergio Perez", comentou Emerson no tapete vermelho do Laureus, que premiou Lewis Hamilton como um dos melhores atletas de 2019, empatado com Lionel Messi.

No entender do ex-piloto brasileiro, a Globo tinha responsabilidade no desenvolvimento do automobilismo no Brasil. "A Globo é quem tem o maior benefício até hoje com a Fórmula 1. Quanto a Globo ganhou até hoje com a Fórmula 1? Você sabe que o projeto de maior benefício para a Globo todo ano é a Fórmula 1. Ganharam muito dinheiro e nunca investiram na base. Agora falam: 'Cadê o piloto brasileiro?' Não investiu, não tem." Procurada pela reportagem, a Globo não quis comentar.

Emerson, que foi presidente da comissão voltada à indústria esportiva dentro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reclama que o país deveria investir mais em esportes, não apenas futebol e futebol e automobilismo. Perguntado sobre o fim do Ministério do Esporte, que acabou com a chegada de Jair Bolsonaro (sem partido) à presidência, disse que não estava sabendo disso.

Hoje a Lei de Incentivo ao Esporte, federal, é o principal motor do automobilismo brasileiro, financiando a carreira de diversos atletas, entre eles Sergio Sette Câmara, atualmente piloto de testes da McLaren. Além dele, o Brasil terá outro corredor no circuito da F1 em 2020: Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, piloto de testes da Haas. A esperança é que ele possa chegar ao grid em 2021. "Eu acho que sempre estando lá em stand by é muito importante. A equipe gosta (dele). Vamos ver se dá certo", comentou o avô.

A família, aliás, segue em alta no automobilismo. Irmão de Pietro, Enzo, de 18 anos, chegou a F3 organizada pela FIA depois de ser vice-campeão da F3 regional no ano passado. Assim, vai correr com o circo da Fórmula 1 na atual temporada. Já o pequeno Emmo, de 12 anos, filho de Emerson, este ano disputará o Mundial de Kart, programado para acontecer no interior de São Paulo.

São Paulo e Rio

Emerson fica em cima do muro na disputa entre São Paulo e Rio de Janeiro para receber o GP Brasil a partir de 2021. No que dependesse do ex-piloto, as duas cidades, as maiores do país, dividiriam os direitos, cada uma recebendo a corrida em um ano. "O Rio tem o turismo, São Paulo tem a tradição. Tomara façam um ano em São Paulo e um ano no Rio. Pode ser."

O veterano defende a construção de um novo autódromo no Rio de Janeiro. "Ter um outro autódromo no nível Fórmula 1 eu acho fantástico, acho muito bom. Fizeram um cálculo, sei porque estou muito ligado a Miami, que ter um autódromo com corrida de Fórmula 1 dá um investimento de US$ 400 milhões todo ano na cidade. O turismo do Brasil pode melhorar muito. O Rio é uma cidade que é o símbolo do Brasil para o turista. Ter um GP lá vai trazer muitas divisas para o Brasil. Mexe com a cidade toda, mexe com o Brasil."

Olhar Olímpico