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Wenger defende punição ao City e diz que distância de europeus só cresce

Arsène Wenger concede entrevista no Laureus - Boris Streubel/Getty Images for Laureus
Arsène Wenger concede entrevista no Laureus Imagem: Boris Streubel/Getty Images for Laureus
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

18/02/2020 04h00

"O Manchester City está cometendo doping financeiro". A declaração, tão atual depois da punição aplicada pela Uefa ao clube de Pep Guardiola, foi dada por Arsène Wenger há mais de 10 anos, em 2009. Na ocasião, ele foi um dos primeiros a apontar que o segundo time da cidade de Manchester, então com trajetória incomparável às dos grandes do futebol inglês, estava se valendo de práticas financeiramente desleais para obter sucesso desportivo. Naquele momento, o clube tirava Kolo Touré e Emmanuel Adebayor do seu Arsenal.

Aposentado como treinador aos 70 anos, Wenger voltou ao noticiário por causa daquela antiga declaração, que serviu como um dos pontapés para uma discussão que vem ganhando cada vez mais força e que tirou o City das duas próximas temporadas europeias. Nesta segunda, com o debate ainda quente, ele participou de uma entrevista coletiva em Berlim (Alemanha), provida pelo Laureus, e, claro, de cara foi convidado a opinar sobre o agora conhecido como "fair play financeiro".

"Eu sempre fui a favor do controle das regras financeiras e deixar os clubes trabalharem com a renda natural que possuírem. Há uma evolução a ser feita na maneira como as regras são construídas, mas elas são o que são, e você precisa respeitá-las. As pessoas não as respeitam e, ao tentar contorná-las de formas mais ou menos legais, elas precisam ser punidas. Se for provado que isso foi feito de propósito, você não pode deixar sem punição", comentou.

O francês foi adiante, ressaltando tratar-se de uma questão complexa. "Eu acho que o esporte é basicamente vencer, respeitando as regras. É disso que se trata. Celebramos os melhores em cada esporte, mas precisamos saber que eles respeitam as regras. Se não houver respeito pelas regras, não é um esporte real", avaliou, em fala que pode valer tanto para o doping tradicional, pelo consumo de substâncias proibidas, quanto para o doping tecnológico.

O dinheiro, no entender do antigo treinador do Arsenal, sempre decidiu campeonatos. O próprio time londrino, dos mais ricos do mundo, conseguiu 19 vagas seguidas na Champions League assim. Mas, no entender de Wenger, a tendência de concentração de forças é cada vez maior.

"São os clubes mais ricos que vencem os campeonatos. E acho que essa tendência se tornou mais forte do que há 20, 30 anos, porque todo mundo quer assistir às melhores equipes. As melhores equipes se tornaram mais ricas, e a diferença para as equipes menores se tornou maior. Então, é por isso que acredito que vemos o que vemos. A estrutura está estabelecida e todos nós podemos prever o que acontecerá em todas as ligas", afirmou.

Para diminuir a discrepância cada vez maior entre os clubes europeus, cheios de dinheiro, e os times de outros países, Wenger aponta como solução o investimento no futebol de base. "A diferença entre a Europa e o resto do mundo, além dos Estados Unidos, está ficando cada vez maior. Se você olhar e tentar analisar o porquê, é bastante simples, porque não há futebol estruturado na idade juvenil nos países que estão abaixo. É nisso que precisamos trabalhar, especialmente a Fifa. Se você produzir bons jogadores, o problema será resolvido, a não ser que você não organize bons torneios, eduque os treinadores..."

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