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OPINIÃO

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Passou da hora do UFC definir o futuro dos pesos-penas feminino

Amanda Nunes é a campeã peso-pena do UFC - GettyImages
Amanda Nunes é a campeã peso-pena do UFC Imagem: GettyImages
Diego Ribas

Jornalista que cobre MMA há mais de uma década, sócio da Ag Fight e fã de esportes de combate. Morando em Las Vegas desde 2014, segue de perto os bastidores do UFC.

Colunista do UOL

28/05/2022 04h00

Já faz pouco mais de cinco anos que o cinturão da categoria dos pesos-penas feminino foi criado no UFC. No entanto, a divisão segue sem um ranking oficial e ainda carece de grandes nomes para compor um cenário competitivo e atraente para os fãs. Sem maiores explicações, algumas disputas ainda são casadas com este limite de peso, mas nenhum futuro promissor parece desenhado para quem ainda pretende competir até 66 kg.

Campeã da categoria, a brasileira Amanda Nunes conquistou o cinturão ao vencer Cris 'Cyborg' em dezembro de 2018. Desde então, ela venceu Felicia Spencer e Megan Anderson para manter seu posto, enquanto dividia suas atenções com o título dos galos - das três rivais citadas, apenas Spencer segue contratada pelo UFC. A primeira campeã dos penas, a holandesa Germaine de Randamie, nunca defendeu o posto e retornou para a divisão dos galos, onde se apresentou em quatro oportunidades desde então.

Vale lembrar, ainda, que Amanda Nunes tem compromisso marcado no octógono em julho, mas, de novo, para se apresentar na divisão de baixo. Desta forma, qualquer atleta que se apresente no limite de até 66 kg eventualmente baixa de peso e retorna aos galos, categoria mais povoada e que possui, de fato, um ranking oficial.

Nomes como Macy Chiasson ou Aspen Ladd parecem ter sido escaladas para se apresentarem na categoria feminina mais pesada do UFC apenas até superarem as dificuldades com o corte de peso e poderem voltar às suas divisões de origem. Ao mesmo tempo, Felice Spencer e a brasileira Norma Dumont parecem ilhadas. Dispostas a agregarem valor aos penas, elas se veem sem competitividade em uma divisão estagnada. Seriam elas capazes de descer de peso? Norma competiu nessa faixa de peso no passado, enquanto a canadense jamais fez a tentativa.

Sem grandes nomes para compor a divisão e com a falta de motivação de demais atletas para subirem de peso de fato, o cinturão peso-pena parece um fardo para a organização do UFC. Afinal, a categoria começou errada. Anos atrás, ao assinar com o evento, Cris Cyborg tinha a meta de cortar peso e lutar na divisão dos galos, onde poderia fazer a disputa mais aguardada do MMA feminino contra Ronda Rousey. Após o visível sofrimento para chegar a uma marca intermediária em duas lutas, a brasileira declarou que não conseguiria atingir a meta. Criou-se, então, o título dos penas.

Com poucas apresentações na divisão, ausência de ranking, escassez de nomes midiáticos e uma campeã que divide suas atenções com outra categoria, o futuro dos penas parece sem brilho. Se não for para investir e contratar atletas competitivas - elas existem e se apresentam em outras organizações -, talvez seja melhor extinguir a classe dos penas feminino. Uma pena.