Milly Lacombe

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CBF acerta e coloca a temida camisa 24 para jogo

No futebol masculino a camisa 24 é radioativa; ninguém quer porque nossos supermaduros atletas acreditam que ela sugere que quem a veste é homossexual. Uma lógica infantil, cretina e abobalhada, claro. Mas é assim que é. A maior parte dos elencos profissionais masculinos nem tem a numeração. O 24, no jogo do bicho, é o grupo do veado. Compreendem a relação? Veado, viado, gay, bicha... O que dizer da masculinidade, não é mesmo?

Pois a CBF, depois de se envolver na polêmica do cabelo cor de rosa de Yan Couto, uma história que em vez de esclarecer ela preferiu embaralhar, agora divulga a numeração da Copa América e eis que está lá a camisa 24.

O guerreiro que vai vesti-la é Ederson. O meio campista, não o goleiro. Ederson, jogador da Atalanta e novato na seleção, talvez jogue pouco ou nem jogue a Copa e certamente por isso a temerosa numeração ficou com ele. Mas, ainda assim, ponto para o atleta que a aceitou, indicando ser um homem bem resolvido com sua heterossexualidade. Sim, porque só os temerosos com a própria sexualidade são capazes de evitar a camisa 24. Qual o receio de vesti-la? É tão grande assim o medo de tremer na base?

A paranoia imbecilizante da masculinidade com o número 24 é tamanha que nós mulheres aprendemos a tirar proveito dela. Em viagens de avião, por exemplo, a mulher que escolher se sentar na fileira 24 vai evitar que um homem se sente ao lado dela: homens não marcam seus assentos nessa fileira. Em viagens de ônibus, o assento ao lado do 24 colabora com sua segurança já que o 24 não será ocupado por um homem. Podem reparar.

No mês da visibilidade LGBTQIA+ seria bacana que a CBF falasse abertamente sobre a importância de um atleta usar a 24 de forma resoluta e orgulhosa. Símbolos importam; educação para ser um adulto funcional ainda mais. Sair do espírito da 5º série pode ajudar nosso futebol a evoluir.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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