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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jogador do futebol inglês se declara gay

Jake Daniels, atacante do  Blackpool (ING), se declara gay - Reprodução/Twitter
Jake Daniels, atacante do Blackpool (ING), se declara gay Imagem: Reprodução/Twitter
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Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

16/05/2022 17h02

Um jogador profissional inglês é o segundo da história do país a sair do armário publicamente. Jake Daniels, que joga no Blackpool, time da segunda divisão inglesa, declarou publicamente ser homossexual.

O rapaz, de 17 anos, contou que fez isso porque mentiu durante muito tempo e viveu um processo diário de pensar como e quando sairia do armário. "A hora é agora", ele disse ao repórter da Sky Sports News. "Sinto estar pronto para contar minha história, sinto que é hora das pessoas me conhecerem de verdade. Mentir não é mais o que quero fazer", concluiu.

Daniels é um jovem promissor no futebol e acaba de assinar contrato como profissional. Tomar uma decisão como essa, dentro de um ambiente tão tóxico e LGBTfóbico, é um ato de coragem.

O primeiro e até hoje único jogador a sair do armário na Inglaterra - e um dos únicos no mundo - foi Justin Fashanu, em 1990. Na época, Fashanu foi vítima de uma campanha em massa de ódio e preconceito e se matou pouco tempo depois. Ele era, além de homossexual, um homem negro.

O mundo hoje é outro e certamente Daniels terá destino mais colorido. Mas é sempre importante ressaltar que o mundo é outro por causa de pessoas como Fashanu, que ousou dizer quem era mesmo sabendo que estaria colocando sua vida em risco.

O futebol masculino é a última fronteira da LGBTfobia, do machismo, da misoginia. Ter coragem de bater no peito e dizer "eu sou gay" dentro de um ambiente assim é coisa para os mais valentes.

Daniels não é o único homem gay que joga bola profissionalmente. Mas ele é um dos únicos a se assumir.

Ter a petulância de ser quem somos numa sociedade que todos os dias nos diz que não podemos é para os fortes. Que o gesto de Daniels possa encorajar outros.