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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milly: O Corinthians precisa afastar Rodrigo Varanda

Rodrigo Varanda em treino do Corinthians no CT Joaquim Grava. - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Rodrigo Varanda em treino do Corinthians no CT Joaquim Grava. Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
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Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

24/01/2022 21h25

O Corinthians investe no futebol feminino. Montou um time de talentos, criou uma camisa lindona em homenagem às mulheres, usa o grito de guerra "respeita as minas" em peças de roupa. Tudo correto até aí. Ou talvez nem tanto.

Recentemente, minha amiga e vizinha de coluna, Marília Ruiz, revelou o machismo e a misoginia distribuídos fartamente em um grupo de mensagem de conselheiros do Corinthians. Nada aconteceu, os machistas e misóginos não foram punidos, a conselheira vítima dos ataques não teve sua voz ouvida - muito pelo contrário. O "respeita as minas," nesse caso, ficou pelo caminho.

Agora, Rodrigo Varanda, promissor atacante que veio da base, foi flagrado ameaçando bater na ex-mulher com quem tem dois filhos pequenos. As mensagens são de uma violência absurda e, diante desse horror, o time soltou uma nota dizendo, resumidamente, que vai esperar o atleta voltar das férias para conversar com ele.

Os casos de violência contra a mulher, incluindo feminicídios, começam sempre com ameaças verbais. Somos um dos países que mais abusa, assedia e mata mulheres. Já temos no futebol exemplos pavorosos de atletas que trituraram a mãe de seus filhos. O time vai esperar acontecer o que para rescindir o contrato de Varanda?

É isso ou afastar o jogador e obrigá-lo a prestar serviço voluntário a alguma instituição que trabalhe com mulheres assistidas pela lei Maria da Penha. Seria bastante saudável que assim fosse feito porque a realidade mostra que homens que partem para agressões verbais carregadas de violência misógina acabam, cedo ou tarde, cumprindo as ameaças que fazem.

A frase "respeita as minas" é bacana e a gente agradece o uso e a impressão dela na gola da camisa roxa. Mas, se for para ficar só no papel, podem recolher. Os crimes misóginos praticados contra mulheres não serão resolvidos com slogans publicitários. Vai ser preciso que pratiquemos aquilo que defendemos na teoria. Ameaça verbal é caso de polícia e de rescisão de contrato.