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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milly: Corinthians segue a passos miudinhos jogando por espasmos

Torcida do Corinthians presente no Beira-Rio - 	Maxi Franzoi/AGIF
Torcida do Corinthians presente no Beira-Rio Imagem: Maxi Franzoi/AGIF
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

24/10/2021 17h54

No papel, nome a nome, o Corinthians é um timaço. Uma zaga que mistura experiência, talento, precisão e juventude, dois bons laterais, uma lista de volantes para todos os gostos que além de marcar sabe aparecer para finalizar, meias de muita categoria, jovens atacantes velozes e acima da média que podem atuar como pontas e também romper para dentro da área e definir. Mas na realização em campo, trata-se de um time comum, que joga de forma lenta, pragmática, sonolenta.

Sylvinho ainda não conseguiu fazer o time voar, como há quatro rodadas imaginamos que ele faria. Não existe um plano de voo e fica difícil voar sem um planejamento, sem que se saiba da onde se sai e para onde se vai.

Falta um conceito, falta uma filosofia, falta aproximação em campo, falta intensidade, falta regularidade, faltam ideias. Para a torcedora e para o torcedor, o que chateia nem é tanto o que o Corinthians faz em campo, mas imaginar o que um elenco desse, melhor treinado, poderia fazer.

Sylvinho está lutando contra o tempo. A sua volta, ecos das ameaças que fazem parte da vida de um treinador no Brasil. Seria mais fácil manter a paciência viva se soubéssemos quais são os planos, onde querem chegar com esse time. E não falo das coisas objetivas: uma lista de títulos, de conquistas e de vagas nesse e naquele torneio. Falo das coisas subjetivas: que tipo de time está para nascer? Qual a ideia de um conceito de jogo? Que identidade está se buscando?

Ganhar ou simplesmente "não perder fora de casa" não é tudo, a despeito do que se pregue nessa sociedade que nos divide entre perdedores e vencedores e em quase nada além disso. Um time como esse não deveria avançar por espasmos, por tensão e relaxamento, por desabafos irregulares.

Sylvinho já fez bastante coisa por um time do qual esperava-se uma briga ali perto do Z-4. Agora é hora de querer mais. São trinta jogos, quase 50% de aproveitamento. É um número mediano para um time acima da média. Tem muito trabalho pela frente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL