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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milly: Flamengo e Atlético querem jogar com torcida. Vai se calar, Anvisa?

Torcida do Flamengo comparece em bom número ao Estádio Nacional Mané Garrincha para jogo contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro 2018 - Staff Images/Flamengo
Torcida do Flamengo comparece em bom número ao Estádio Nacional Mané Garrincha para jogo contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro 2018 Imagem: Staff Images/Flamengo
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

14/09/2021 14h52

Alguns gigantes do futebol brasileiro tramam para voltar a ter torcida em seus jogos. A essa altura da pandemia eu até acho que poderíamos, talvez, quem sabe, começar a pensar em ter alguma audiência presencial, mas para isso nosso futebol teria que ser de alguma maneira organizado, admitir a seriedade da pandemia e fazer campanhas de grande alcance em nome de alguns cuidados.

Mas o que seria mesmo interessante é ver a Anvisa, a agência governamental que tem como função promover a saúde da população, se manifestar publicamente de forma intensa e dramática, como fez para retirar de campo os argentinos no jogo contra o Brasil e, dias depois, desescalando o meia Willian, do Corinthians, em jogos do campeonato brasileiro.

A mesma Anvisa que, durante a Copa América, deu os ombros e saiu por aí passeando alegremente sem máscara na figura de seu diretor poderia mostrar que não estava agindo ideologicamente quando fez aquela cena ridícula durante jogo das eliminatórias se, agora, divulgasse algum tipo de documento, declaração, manifesto, folhetos, panfletos etc contra a volta do público presencial - ou até articulando orientações para uma possível volta; mas, enfim, se metendo em todas as coisas em que deveria ter se metido desde março do ano passado em nome da saúde da população brasileira.

Infelizmente eu acho que nada disso vai acontecer e teremos a volta do público presente em estádios sem que haja uma orientação centralizada, uma liderança única que promova consciência sobre o atual momento pandêmico.

Da CBF não se espera nada, claro. Porque se ainda houvesse um fiapo de decência na Confederação eles há muito teriam se manifestado divulgando ações e campanhas para conscientizar o torcedor e a torcedora sobre a importância do que estamos enfrentando. Só que nada disso importa para a CBF; importa enfraquecer as acusações de abuso sexual contra seu ex-presidente, importa compactuar com as suspeitas dos crimes, importa seguir acumulando riqueza e patrocinadores a despeito de quaisquer tragédias sociais.

Sem uma organização centralizada que pudesse começar a promover de forma consciente a volta de público aos estádios me parece apenas digno que não façamos isso até que a pandemia esteja controlada. E ela ainda não está.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL