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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milly Lacombe: Se Zico jogasse hoje ele provavelmente seria um volante

Zico em 1982, na seleção brasileira - Jorge Araujo/Folhapress
Zico em 1982, na seleção brasileira Imagem: Jorge Araujo/Folhapress
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

04/09/2021 18h18

Vejo no Twitter o comentário inteligente do meu colega Rodrigo Salem sobre a declaração de Tite de que, se pudesse escolher alguém da seleção de 82, teria escalado Zico. Diante disso, Salem comenta: "Aí colocaria Zico como volante para marcar o atacante adversário". Pois é. Se conseguirmos imaginar essa situação de realismo fantástico e trazer Zico desde o auge de sua forma como profissional para os dias de hoje, e para a seleção da CBF, que funções ele executaria em campo?

Marcação, marcação, marcação: o mantra do futebol moderno. Ou há quem discorde?

Quantos Zicos deixaram de existir justamente porque o jogo está hoje articulado por esse mantra miserável? Quantos Zicos passam pelas bases e são transformados em volantes porque "esse tipo de jogador tem mais mercado"?

Aquele Cruzeiro magnífico comandado por Luxemburgo em 2003, que tinha Alex jogando absolutamente livre para criar, talvez nunca mais vejamos. Sim, temos o Flamengo, o Galo e o Fortaleza jogando ofensivamente, e isso me faz ter um pouco de confiança, mas é pouco para o que já fomos um dia.

Se Zico jogasse hoje, ele provavelmente seria um volante. E assim, portanto, não seria Zico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL