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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

No dia do futebol, o gol mais bonito que esse esporte já criou

Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

19/07/2021 17h25

É impossível saber se o gol mais bonito da história do futebol tem uma parte que possa ser considerada mais bonita ou mais importante. Desde a roubada de bola de Tostão, no campo de defesa, passando pelos dribles de Clodoaldo, pelos passos silenciosos de Carlos Alberto Torres, lá do outro lado, andando quase sem ser notado, como um coadjuvante da jogada, chegando ao passe de Pelé, que hoje chamariam de assistência, e que deixou a bola num ponto futuro, até ali vazio, inundado de nadas, mas onde em segundos o pé de Carlos Alberto se encontraria com a bola, despejando sobre ela um chute seco, quase rasteiro, e certeiro.

Uma jogada que teve a participação de quase todos os jogadores de linha, que teve drible, deslocamentos, virada de jogo. Uma jogada coletiva, que começa com o esforço de um atacante que volta para recuperar a bola e, dali em diante, é pura arte.

Era o Brasil de 70, uma seleção curvada à ditadura, mas, ainda assim, capaz de fazer do futebol uma arte, um respiro para tantas opressões e sofrimentos, um intervalo na dureza da vida - como deveria sempre ser.

Dia 19 de julho é o dia do futebol, essa forma de arte que estão tentando transformar apenas em negócio. Então, é dia de rever essa jogada histórica. Aqui o gol, com narração original.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL