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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Contra o Bragantino, insistência em Luan custou caro ao Corinthians

Luan em ação durante partida entre Corinthians e RB Bragantino, pelo Brasileirão 2021. - Ettore Chiereguini/AGIF
Luan em ação durante partida entre Corinthians e RB Bragantino, pelo Brasileirão 2021. Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

16/06/2021 22h31

O Corinthians melhorou. Longe de ser um time que vai brigar pelo título, é hoje um time para brigar no meio da tabela. Tem toque de bola (o gol contra o Bragantino foi resultado de 20 passes certeiros), tem uma defesa melhor armada. Perdeu em casa do Bragantino, que é um dos times mais entrosados do campeonato. Então, vamos analisar o que aconteceu em campo a despeito do resultado porque se resultado contasse a história do jogo não precisaríamos de comentaristas.

O Corinthians melhorou, mas Sylvinho precisa rever Luan, ou mais especificamente a posição de Luan. E, embora eu já tenha escrito sobre isso, vou precisar ser insistente.

Luan tem feito coisas incríveis: não está em todos os espaços do campo em que deveria estar, e está em todos os espaços em que não deveria estar. É um tipo de desorientação espacial rara no futebol profissional. Quando o time tem a bola ele não aparece na área e prefere colar em algum jogador que está em situação de armar uma jogada. Pode ser Roni, Cantillo, Gabriel, Gustavo, qualquer um. Cola tanto que confunde a organização da jogada.

Quando o time perde a bola e precisa se defender ele fica na sobra - o que seria correto se ele se posicionasse em direção à área quando o time recupera a bola. Mas ele não faz isso. Quando o Corinthians recupera a bola, ele segue ali pelo meio, iniciando o ritual de colar em um companheiro. Em outras vezes, ele decide que vai voltar e ajudar a defesa. Além de não ajudar, faz com que o time fique sem ninguém para os contra-ataques.

Um bom jogador mal posicionado pode comprometer o time. Me parece ser esse o caso. Com um agravante: Luan não está em boa fase faz um tempo. Talvez, ao encontrar seu espaço em campo, a fase melhore. Mas é preciso calcular quanto tempo Sylvinho tem para esperar ou agir para reposicionar Luan. Sylvinho está insistindo. E a insistência custou caríssimo contra o Bragantino.

O time era melhor até fazer o gol, mas depois retraiu e não conseguiu se armar nos contra-ataques porque Luan não estava posicionado e errava todos os passes. Tomando um sufoco no começo do segundo tempo, Sylvinho optou por tirar Vital e colocar Araos em vez de tirar Luan. Luan estava em campo exclusivamente para bater escanteios pela direita. Que, aliás, resultaram em contra-ataques perigosos.

Mesmo assim, Sylvinho precisou de 70 minutos para tirar Luan do jogo e colocar Leo Natel, que se machucou em minutos e deu lugar a Ramiro. A essa altura o bom time do Bragantino já estava cheio de confiança no jogo e acabou virando. É pesado demais colocar a responsabilidade da derrota sobre um jogador apenas. Cassio falhou no segundo gol, o time retraiu muito depois de fazer o primeiro gol e o Bragantino jogou bem. Mas a insistência em Luan por 70 minutos não fez sentido nenhum, e certamente tirou do time a mobilidade necessária para contra-atacar quando estava vencendo o jogo. Custou caro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL