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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A seleção feminina do Brasil pode mais

Brasil goleia o Equador por 8 a 0 em último amistoso da seleção feminina em 2020 - Mariana Sá / CBF
Brasil goleia o Equador por 8 a 0 em último amistoso da seleção feminina em 2020 Imagem: Mariana Sá / CBF
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

14/06/2021 18h14

A seleção brasileira de futebol feminino é, hoje, uma das mais sólidas do mundo. Sempre fomos muito boas, verdade, mas agora temos estrutura que nos permite brigar lá na ponta: tem preparo físico, mental, psicológico, além da categoria que nunca nos faltou.

A carismática e simpática treinadora sueca Pia Sundhage conseguiu o que queria quando assumiu a função de técnica do Brasil: montar um time coeso. Já fez muita coisa, verdade, mas podemos ainda mais.

O futebol da seleção feminina atual é correto e competitivo só que, para ganharmos em coesão e competitividade, tivemos que deixar um pouco da nossa irreverência pelo caminho. É normal que seja assim, mas é também normal que agora, com as estruturas bem amparadas, a criatividade volte a existir fartamente. Se antes ela sobrava e faltava solidez, agora a relação se inverteu.

No meu time, Marta, a melhor do mundo por muitos anos, a melhor da história até aqui, jogaria mais solta e mais no meio. Marta é maestra e, quando precisa correr o campo todo para marcar, cansa de forma exagerada. Aberta pela direita, como muitas vezes aparece, desorienta a armação das jogadas e deixa um vazio no meio. Marta é única, é a melhor e é nossa.

Eu gostaria de ver o time jogar em torno dela. Livraria Marta do peso de marcar intensamente do ataque até a nossa defesa, coisa que ela tem feito. Pelo menos em amistosos, como no de hoje contra o Canadá, eu testaria uma Marta mais soberana.

Pia é a melhor coisa que já aconteceu no território da comissão técnica desse time. Torço para que levante um troféu e marque de vez seu nome na história. Mas fico imaginando como seria a seleção brasileira com Pia e Sissi - uma Marta antes da Marta e que, até onde pude me informar, trabalha treinando times femininos na Califórnia - dirigindo juntas o time. Um pouco da competitividade sueca com um tanto da genialidade criativa brasileira. Quem sabe um dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL