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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

É indecente o Flamengo usar marca associada ao governo que mata a população

Zico 01 - Reprodução/Pinterest
Zico 01 Imagem: Reprodução/Pinterest
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

11/05/2021 10h05

É indecente que um dos elencos mais inspirados e inspiradores que o Flamengo já teve entre em campo estampando na manga da camisa marca intimamente associada a um governo que está matando sua população via três estratégias: sufocada, de fome e de bala.

Esse mesmo Flamengo, que já recebeu em sua sede - com mimos e dengos - o presidente associado a esse extermínio, agora anuncia que colocará na camisa - que o torcedor e a torcedora chamam de manto sagrado - o nome de uma empresa que, ao lado de outras, financia o estado de tragédias que estamos vivendo no Brasil.

Poderíamos falar que o dono da empresa já foi condenado por sonegação fiscal, mas esse parece até um crime menor diante de coisas como estar associado a grupos e pessoas que se ligam a extermínios, execuções, milícias, milicianos e, claro, genocídio.

Ainda que o dinheiro oferecido fosse capaz de elevar o Flamengo ao orçamento do Manchester City, deveria ser recusado. O Flamengo é maior, muito maior, do que a grana que esse empresário está oferecendo ao time, e sujar seu manto com o nome de uma empresa que, todos os dias, beija a mão de uma administração que vai entrar para a história como tendo cometido crimes contra a humanidade é uma delinquência.

O time não deveria conectar sua grandeza a esse tipo de gente, de ideia, de ideologia. E, se estamos falando da maior torcida do Brasil, é então, proporcionalmente, também a torcida que mais está sendo exterminada pela ação criminosa de uma administração trágica e desumana.

Se há "espaços" sobrando nas mangas e nos calções que sejam oferecidos sem custo ao SUS, sistema de saúde que está evitando que o extermínio seja ainda maior e salvando a vida de muitos e de muitas flamenguistas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL