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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O torcedor do Flu já pode sonhar mais alto

Luiz Henrique, do Fluminense, tenta escapar da marcação do River Plate (ARG) na estreia na Libertadores - Lucas Merçon / Fluminense F.C.
Luiz Henrique, do Fluminense, tenta escapar da marcação do River Plate (ARG) na estreia na Libertadores Imagem: Lucas Merçon / Fluminense F.C.
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

23/04/2021 11h38

Um empate raramente representa igualdade. O empate entre Fluminense e River fez com que o time carioca saísse de campo maior do que entrou. E o River, que se impôs durante os 90 minutos como o favorito que é, sai menor.

O Fluminense de Roger se mostra um time bastante interessante. Começou jogando com três na frente: Fred no meio e os garotos Luiz Henrique e Kayky aberto pelos cantos. Se ainda houvesse no futebol a posição de "ponta", Luiz Henrique e Kayky seriam assim chamados. Bons de bola, cheios de personalidade, voltavam a todo o instante para marcar. Não é exagerado dizer que o Fluminense, com essa escalação, atacava num 4-3-3 e defendia num 4-5-1 - com Fred mais à frente para protagonizar os contra-ataques.

O Fluminense era melhor quando sofreu o gol e não se abalou com o resultado desfavorável.

No intervalo, tudo mudou e, no começo do segundo tempo, o River pressionava sem que o Flu conseguisse se organizar no meio de campo para estruturar um rebote. O jogo parecia estar se encaminhando para a vitória dos argentinos. Percebendo isso, Roger mudou logo aos 11 minutos: chamou Cazares para o lugar de Nenê.

A dinâmica foi transformada como num passe de mágica. O Flu empatou, seguiu pressionando nos contra-ataques e só não desempatou porque o juiz adotou a estratégia de, na dúvida, favorecer o River.

Luiz Henrique foi ganhando confiança e puxava contra-ataques certeiros e velozes, sofrendo faltas que eram ignoradas pela arbitragem. Só que quando o garoto estava em seu momento mais agudo, Roger decidiu substituí-lo, coisa que eu não teria feito (a menos que ele tenha precisado sair por motivos físicos).

Roger tem um elenco interessante e diverso em mãos, e é treinador extremamente gabaritado para fazer com que esse time vá longe. A partida contra o River alargou o campo de sonhos do torcedor e da torcedora do Fluminense.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL