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REPORTAGEM

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Hernanes, ex-São Paulo, anuncia aposentadoria do futebol aos 36 anos

Marcelo Hazan

Marcelo Hazan é jornalista formado desde 2010. Trabalhou em "LANCE!", "A Tribuna", ge e GOAL como repórter. Cobriu Copas do Mundo 2014 (Brasil) e 2018 (Rússia), Copa América 2015 (Chile), Olimpíada 2016 (Rio) e Mundial de Clubes 2011 (Japão). Também é narrador esportivo, com experiência em Liga dos Campeões, Libertadores sub-20, Paulistão, Carioca e Brasileirão (este para sinal internacional)

Colunista do UOL

02/05/2022 11h16

Hernanes oficializou nesta segunda-feira, em São Paulo, o adeus do futebol. Aos 36 anos, o agora ex-meia confirmou a despedida como jogador em um evento num restaurante localizado no estádio do Morumbi. Foi muito aplaudido pelos convidados e se emocionou durante o anúncio do adeus.

"É um momento especial, porque, na vida, é importante você saber entrar e depois saber sair. A minha saída é como se deve, como se merece. Estou encerrando hoje a minha carreira como jogador de futebol, mas nascendo para tantas outras coisas. Quero continuar crescendo", divulgou, reforçando minutos antes que o seu auge técnico foi em 2017, quando voltou ao São Paulo (por empréstimo do Hebei China Fortune), em campanha na qual o time paulista fugiu do rebaixamento.

Ídolo do São Paulo e referência brasileira no futebol italiano, onde atuou por Inter de Milão, Juventus e Lazio, o Profeta termina a carreira com seis títulos oficiais por clubes: Brasileirão (2007 e 2008), Paulistão (2021), Serie A (2015/16) e Copa da Itália (2012/13 e 2015/16). Conquistou ainda a Copa das Confederações de 2013 com a seleção brasileira, tendo disputado também a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2008.

Nascido no Recife, Hernanes defendeu o Sport na parte final da última temporada e não renovou o contrato encerrado em dezembro. Desde então ficou sem clube. Atuou pela última vez no dia 3 de dezembro, no empate por 1 a 1 entre Sport e Flamengo, pelo Brasileirão - o Leão acabou rebaixado para a Série B.

Veja outras aspas de Hernanes após sua aposentadoria:

O que vem na sua cabeça quando pensa no Morumbi?

"Foi o começo de tudo. Cheguei em São Paulo com 15 anos, fiz teste em vários times, e foi o São Paulo quem me acolheu. Morei de baixo das arquibancadas, assisti a jogos aqui, treinava aqui, hoje temos esse restaurante, então é lindo. Foi minha casa, o palco e, agora, uma parte de mim continua aqui dentro. É muito marcante. Eu fui gandula aqui também. Foi casa, escola, palco e agora é um negócio. É lindo".

Decisão de aposentar

"No último momento, parecia que foi algo impensado, mas não foi. Desde que voltei ao São Paulo, em 2019, depois em 2020 na pandemia, tudo ficou muito confuso. Tinham outros aspectos que eu considerava, além do futebol em si. Foi o primeiro momento que me fez parar para pensar. O São Paulo estava passando por um momento de desorganização que eu nunca tinha visto, mexeu um pouco comigo isso. Dentro de campo eu não estava conseguindo mais ser protagonista. Aí foi o primeiro momento que pensei, que bateu essa vontade. Até me lembro, o Alexandre Pássaro falou para eu pensar um pouco. Depois, junto com o Diniz, construímos um caminho onde consegui me motivar. Tive jogos interessantes com ele [Diniz], boas partidas. Um gol contra o Corinthians, que faltava. Então foi legal".

"Depois, no ano seguinte, chegou o Crespo. A gente estava bem no campeonato, mas eu não estava jogando, então não estava contente. Sempre mantenho o comportamento cordial, mas eu não estava feliz por não estar jogando. Dentro de mim, o único conflito que existia era esse. Quando eu não estava jogando, ficava chateado por pensar que eu podia fazer a diferença. Cheguei no presidente, disse que entendia a situação e que queria uma oportunidade para jogar. Teve a rescisão e fui para o Sport".

"Foi muito legal ter jogado lá, perto da família e dos amigos. Fiz bons jogos, mas não a diferença. Aí amadureceu ainda mais um pouco a ideia. Eu tinha colocado uma meta de jogar até os 38 anos. Queria jogar mais um tempo. Mas devido a experiência individual de não conseguir ser protagonista como sempre fui, me deixou uma pulga atrás da orelha. Quando fui para a Itália, de férias... A decisão é tomada em dois princípios. Eu gosto muito de Isaac Newton, explicou muita coisa sobre os movimentos dos corpos. O princípio número um foi do amor. Quando cheguei lá e vi meus filhos, estava há cinco anos longe, bateu uma vontade de estar perto deles. Falei que não voltaria mais ao Brasil. Era o amor, a saudade. O segundo é o da inércia, que o próprio Newton falou. Um corpo que está parado, tende a permanecer parado. Tentei arrumar algo na Itália, mas não consegui. Passaram-se os meses, e a inércia me venceu. A decisão foi natural, na verdade".

Futuro

"Eu e meu irmão montamos uma empresa de agenciamento de jogadores, estamos no início, é um dos negócios que temos. No primeiro dia que meu pai me levou na escolinha eu tinha oito anos. É algo que penso, estar no meio do futebol. Treinador, pensei. Antes eu dizia não, depois pensava pode ser, e hoje é talvez. Penso em fazer um curso, me preparar, mas não é uma coisa que tenho no coração, de querer ser treinador".

Próxima profecia

"A próxima está no forno já. É um livro profético. Não é uma autobiografia. Eu tenho duas paixões. A bola e a bíblia. Foi um livro que sempre me guiou. Essa é a próxima profecia, que deve chegar mais recentemente".

Como quer ser lembrado?

"Tinha um amigo que dizia que eu era um chute na vida. E eu demorei para entender isso. Você tem que focar naquilo que você é bom. Eu chutava muito. Lá em Recife, chegava da escola, nem almoçava e já ia para o campo. Pedalava e chutava para o gol. Ia, pegava a bola, fazia de novo. É um chute, uma aposta, que pode virar uma profecia. A pedalada e o chute são as minhas marcas. Já está marcado. É legal conseguir marcar a memória das pessoas. Acho que já está registrado".