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Marluci Martins

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mauricio Souza, um nome a ser apagado do vôlei e desse texto

Maurício Souza e Eduardo Bolsonaro - Reprodução/Instagram
Maurício Souza e Eduardo Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram
Marluci Martins

Marluci Martins começou no jornalismo esportivo em 1988 e cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018), pelos Jornais O Dia, Extra e O Globo. Foi setorista dos quatro grandes clubes do Rio e, apaixonada por futebol, frequentou estádios nos mais variados endereços – com a caneta ou a bandeira. Em primeira mão, anunciou as aposentadorias de Romário e Ronaldinho Gaúcho, entre outros furos marcantes da carreira, como a primeira entrevista com o então treinador Ricardo Gomes pós-AVC. Para ela, a rede de internet é como a do futebol: desperta alegria e tristeza, amor e raiva. Que não nos falte o fair play.

27/10/2021 07h58Atualizada em 27/10/2021 08h28

Do inferno das redes sociais emergiram nos últimos dias, com cheiro de enxofre, os posts de Mauricio Souza, influencer com 264 mil seguidores no Instagram, pretenso candidato a alguma coisa em 2022, amigo e puxa-saco do presidente da República e, também, jogador de vôlei. A partir da manhã desta quarta-feira, 27 de outubro, soma-se mais um pecado ao rol de atrocidades do rapaz: ele me fez perder pouco mais de sete minutos de vida assistindo a um de seus vídeos, ressonância maldita do que há de pior no ser homofóbico procedente das entranhas do outro mundo já citado aqui no início desse texto.

Não assistam.

Foi por dever jornalístico que o fiz. Já deixei de seguir. Cancelei. Tenho vergonha disso e crise respiratória. Você não lerá mais o nome de Mauricio neste texto. É a última vez, pois esse teclado custou caro e não merece o gasto indevido.

O bajulador do presidente politiza a questão LGBTQIA+ no seu discurso raso, irresponsável e torto, considerando-a uma causa da esquerda. Mas não basta ser desumano. É preciso ser oportunista. Coincidência ou não, claro que não, o bajulador do presidente praticamente lança seu nome na política em uma live gravada que segue no feed do seu Instagram:

"Não sei ainda se vou me candidatar. Se for da vontade do povo, estou à disposição. É necessário (sic) pessoas do bem, novas, que têm vontade e coragem de lutar pelas coisas necessárias. Se for a vontade do povo, eu estou 100% à disposição", diz o bajulador do presidente, com camiseta amarela, cor preferida do eleitorado na sua mira.

A isso se dá o nome de cara de pau. Já o imagino em campanha, rasgando placa no carro de som, e, eleito, disseminando seu odioso preconceito ainda com mais seguidores, fazendo arminha e disparando um canhão de baboseiras. É bom mesmo que vá para esse lado obscuro, pois do vôlei felizmente levará somente um pé no traseiro, cairá no esquecimento, será um ninguém, sem os louros da vitória. Um derrotado.

O bajulador do presidente perdeu o jogo. Tomou um capote. Os patrocinadores não o querem mais. Não aceitam estar associados à imagem de alguém que indiretamente corrobora com irresponsabilidades. Em 2020, foram perdidas de forma violenta, no Brasil, 237 vidas da população LGBTQIA+. Os números no país, assustadores, são endossados pelo discurso homofóbico de quem tem influência nas redes. Seus propagadores, como o bajulador do presidente, não têm discernimento - ou não querem ter - para perceber que a criminosa homofobia não se insere no contexto da liberdade de expressão. Assim como as fake news.

Li que o bajulador do presidente se desculpou, não encontrei o post. Que valor tem um pedido de desculpas de quem acha que sua vidinha vale mais que as 237 perdidas no ano passado? Tarde demais. O bajulador do presidente perdeu o jogo, está acuado e já tem um outdoor na testa sobre seus podres valores. Não precisa de mais nada para ser eleito, só mesmo de uma manada de imbecis. Não falta gente para lhe dar palanque. Que deixe o esporte e vá ser feliz com eles.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL