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Marluci Martins

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com a viagem perto do fim, Daniel Alves precisa cuidar da imagem

Daniel Alves beija o símbolo do São Paulo durante apresentação oficial no Morumbi - Reprodução/Twitter
Daniel Alves beija o símbolo do São Paulo durante apresentação oficial no Morumbi Imagem: Reprodução/Twitter
Marluci Martins

Marluci Martins começou no jornalismo esportivo em 1988 e cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018), pelos Jornais O Dia, Extra e O Globo. Foi setorista dos quatro grandes clubes do Rio e, apaixonada por futebol, frequentou estádios nos mais variados endereços – com a caneta ou a bandeira. Em primeira mão, anunciou as aposentadorias de Romário e Ronaldinho Gaúcho, entre outros furos marcantes da carreira, como a primeira entrevista com o então treinador Ricardo Gomes pós-AVC. Para ela, a rede de internet é como a do futebol: desperta alegria e tristeza, amor e raiva. Que não nos falte o fair play.

17/09/2021 12h38

Quando a Copa do Mundo chegar, estando ou não Daniel Alves sentado em uma das poltronas do avião da seleção brasileira, já não haverá, aos 39 anos, muito a ser carimbado no seu passaporte. Próximo da aposentadoria, o jogador de bagagem vitoriosa na carreira terá poucas horas de voo pela frente.

Daniel Alves não tem sido cuidadoso com sua bagagem. A passagem pelo São Paulo teve pouso forçado 15 meses antes do planejado em contrato, devido a turbulências não previstas quando, na sua apresentação, 45 mil torcedores reverenciaram no Morumbi o candidato a ídolo.

Aquilo foi em 6 de agosto de 2019, e não se pode dizer que Dani não decolou. Mas envolveu-se em polêmicas, a mais forte delas ao curar na seleção olímpica a frustração por uma medalha de ouro que faltava na coleção pessoal, enquanto o São Paulo estava em pane no Campeonato Brasileiro - e assim continua.

É claro que o clube não deveria ter acumulado uma dívida tão robusta com Daniel Alves, mas a imagem construída por alguém que está na história do futebol não tem preço. Se tiver, custa bem mais do que os R$ 18 milhões reclamados com razão, mas de forma inábil. Nesse pouco tempo que resta, convém cuidar de um legado tão importante quanto as jogadas brilhantes: a boa reputação.

Ou toda a bagagem construída será extraviada nesse voo cego de atitudes pilotado por Daniel Alves.

E ninguém lembrará o que um DVD não conta, como a iniciativa de Dani em oferecer ao colega Abidal parte do seu fígado, sensibilizado pelo drama do francês que descobriu um tumor no órgão em 2011 e precisou de um transplante. Generosidade recusada por incompatibilidades científicas, mas eternizada na memória de quem sabe o quanto Daniel é gente boa.

Embora às vezes não pareça, tantas são as vezes em que tem se jogado de peito aberto e sem paraquedas em equivocadas escolhas e exposições, inclusive no campo político, terreno que somente o lançará em queda livre para mais confusões.

Com razoável combustível ainda para queimar, já é hora de Daniel Alves começar a traçar o plano de voo da aposentadoria, pois a próxima escala poderá encerrar a linda viagem proporcionada pelo futebol acima da média com o qual rodou o mundo. A última impressão tem seu peso, convém apertar o cinto e completar a rota com segurança e delicadeza.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL