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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A nossa guerra tem que parar o futebol

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

26/02/2022 19h04

Poderia estar gastando linhas aqui para falar das decisões a serem tomadas por Fifa e Uefa com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Poderia ser romântica e lembrar do episódio em que Pelé parou uma guerra. Mas vou ser crua e bairrista para falar do nosso quintal:

"Bomba explode e fere jogadores do Bahia."

"Pedradas danificam ônibus e ferem jogadores do Grêmio."

"Faca arremessada em campo durante jogo da Copinha."

"Morre torcedor palmeirense baleado em confusão na torcida após jogo do Mundial."

"Briga generalizada entre flamenguistas e botafoguenses deixa ferido em estado grave (inclui tiroteio e pancadaria)."

Essas são apenas algumas das manchetes de 2002 envolvendo futebol e seus "ursinhos de pelúcia" tratados com benefícios que os torcedores comuns não têm nem que paguem muitos reais nos ingressos e nos programas de fidelidade.

Podemos falar das origens da violência (sim, faz parte). Podemos falar de todo tipo de medida água com açúcar para acalmar os bandidos (que, sim, além de bandidos, são torcedores). Podemos engrossar a discussão com palavras rebuscadas e lamentar a impunidade. Podemos fazer uma lista de revisões legais necessárias e urgentes para agravar as penas dos crimes ligados ao futebol.

Mas hoje vou ser mais rasa na análise.

Com perdão do meu português, nenhum dirigente ou político conseguiu ser mais do que fraco e/ou burro. FRACOS E BURROS! Gente que nunca se sentou numa arquibancada de cimento. Gente que nunca dividiu um lanche de pernil com amigo que torce para o rival antes de a bola rolar. Gente que acha que tirar a torcida adversária do estádio resolve alguma coisa. Gente que tem suas digitais no fomento de uma geração de gente ainda mais intolerante e irracional: uma turma que só ajuda a deseducar; uma gente que dá razão para os trogloditas que definem para quem você pode ou não pode torcer; um bando que foi convencido pela lógica dos bandidos "donos" de seus terrenos.

Estamos criando torcedores que só sabem perder ou ganhar em bando. Estamos criando torcedores que acham normal atacar e censurar os diferentes. Estamos criando torcedores que não podem levar um amigo, um marido, um filho ao estádio quando bem entender. Estamos criando torcedores que precisam olhar no calendário se há jogos de rivais para depois escolher a roupa do trabalho.

Bando de gente burra e incompetente! Bando de gente burra e incompetente que é guiada pelas decisões e posturas de torcedores bandidos!

Semana que vem tem São Paulo e Corinthians no Morumbi.


Recomendo aos editores para reservarem espaço para notícias que nada têm a ver com futebol.