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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: A condenação definitiva de Robinho e vocês da imprensa

Robinho, ex-jogador de futebol condenado a nove anos de prisão na Itália por estupro coletivo - Thomás Santos/AGIF
Robinho, ex-jogador de futebol condenado a nove anos de prisão na Itália por estupro coletivo Imagem: Thomás Santos/AGIF
Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

19/01/2022 12h23

A cobertura da imprensa sobre o julgamento do último recurso do ex-jogador Robinho na Justiça italiana no caso de violência sexual grupal me surpreendeu.

Depois de tímidas notas e notas de rodapés nas instâncias anteriores (na grande maioria da imprensa), hoje a confirmação da sentença de 9 anos de prisão está em todos os lugares. Há casos de emissoras e veículos de imprensa (como UOL) com correspondentes em Roma.

As duas notícias são ótimas: um crime não pode passar impune; e jornalistas não podem se sentir constrangidos em falar de estupro.

Constrangedor é o estupro.

Constrangedor é a tolerância do futebol em relação a "problemas pessoais" dos jogadores.

Constrangedor é ler e ouvir as mulheres sendo chamadas hoje às mesas redondas ainda mega masculinas, brancas e recheadas de machos-alfa como se estupro fosse um assunto de mulher.

O desconforto dos meus colegas homens em comentar o caso é que constrange.

Ser mulher, meus caros, é ter medo de ser estuprada todos os dias.

Desde que nascemos somos ensinadas a ter cuidado e a ter medo. É assim em 99% do planeta.

É uma afronta às mulheres dividir a pessoa física do estuprador e a pessoa jurídica do jogador.

O futebol sempre se protege de assuntos que desprotegem os mais vulneráveis.

Futebol é reduto machista.

A ginástica verbal que se testemunha nas discussões sobre o assunto mostra que ainda estamos longe de dias perfeitos. Teve quem comparasse os casos de Robinho e de Djokovic. Juro que teve. Desenho: um é um crime hediondo. Teve quem relativizasse a participação dos patrocinadores. Tem quem tenha falado sobre o "direito de trabalhar" e "ressocialização".

Mas hoje é um grande dia! Isso importa.

Seguimos.