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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: Enfim apareceu o chefe do Gaciba

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

11/11/2021 16h05

Desde sempre, dessa culpa sou muito isenta, cobro transparência, eficiência, profissionalismo e explicações de Leonardo Gaciba sobre o baixíssimo nível da arbitragem brasileira. Desde que assumiu a Comissão de Arbitragem da CBF, o ex-árbitro e ex-comentarista de arbitragem da TV Globo peca em todos os requisitos.

Ao ser anunciado por Rogério Caboclo em 2019, Gaciba ouviu o seguinte pedido do então chefe:

"Nosso objetivo é um melhor espetáculo para quem assiste, com menos cartões por reclamação e mais tempo de bola rolando. Estes desafios serão enfrentados sob a liderança do Leonardo Gaciba. Ele está preparado para tudo isto e para os novos tempos do VAR", disse o então presidente da CBF (hoje afastado do cargo por recomendação do Comitê de Ética da entidade).

Preciso contar??? Então: não rolou.

Pior do que nunca ter conseguido alcançar os objetivos listados, Gaciba começou sua gestão camuflando o que era impossível de se esconder com planilhas absurdas de números "inauditáveis" de % fantasiosas de acertos dos seus "funcionários".

Quem não se lembra do Power Point do Gaciba com maravilhas do VAR e seus efeitos?

Sem padrão lógico nenhum, era impossível achar em números elogiosos o apito que tem mexido em placares em todas as rodadas de forma misteriosa, enxerida, sem critérios claros e, muitas vezes, de forma claramente errada. O que passou fazer Gaciba? Sumir. Nem explicação, nem planilha, nem nada.

Mas esse era um comportamento adorado pelo ex-presidente da CBF.

Em conversa de Caboclo com assessores não identificados captada em 2018 (ano de estreia do VAR na Copa do Brasil), eles destacam o trabalho de comunicação da Fifa sobre o VAR.

"A Fifa adotou um negócio, Rogério, que eu acho que é interessante. A Fifa bancou um discurso do que eles querem. 'E o VAR? Foi perfeito'. (...) 'Os juízes? Foram ótimos'. Eles não piscam, não piscam. Isso é uma lição desse processo", diz um dos assessores.

A resposta de Caboclo? "Isso (Gianni Infantino, presidente da Fifa) é um filho da puta, mas ele é bom por isso", diz Rogério Caboclo se referindo ao chefe da Fifa com quem já tinha atritos. Leia mais em áudios vazados sobre o VAR no "Caboclogate" em outro post do meu Blog.

As coisas passaram a mudar com o vácuo no poder deixado com o afastamento de Caboclo em junho passado.


Passaram a aumentar dentro e fora da CBF as críticas contra o apito de campo (deteriorado pela cola do VAR) e contra o apito blindado do VAR. Passou-se a questionar mais o silêncio sepulcral, marca da gestão do Gaciba à frente de árbitros não profissionalizados, à frente de escalas questionáveis, à frente de uma ferramenta que no seu ano IV no Brasil está longe de honrar o slogan "mínima interferência, máximo benefício".

Em contrapartida ao silêncio de Gaciba apareceu o grito de muitos decibéis de dirigentes, torcedores, jogadores e até de alguns de vocês da imprensa que antes defendiam a "ideia" de uma ferramenta milagrosa.

Não existe VAR sem as pessoas que operam o VAR. Simplesmente não cabe elogiar algo que é irreal. E não existe ignorar os fatos: só piora.

Enfim parece que a CBF percebeu os arranhões que a arbitragem tem deixado nos seus produtos: por decisão do atual presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, os áudios do VAR passaram a ser publicados - ainda de forma muito errática e sem padrão. Enfim apareceu o chefe para cobrar do Gaciba um serviço melhor.

Passou muito da hora.

Segundo informações dos colegas PVC e Sergio Rangel do "GE.com", até a permanência de Gaciba na Comissão de Arbitragem está em xeque. O UOL Esporte havia detalhado o aumento da pressão sobre Gaciba em outubro - a hipótese de substituição já era ventilada.

Passou da hora também.

Desconheço uma empresa privada, mesmo as familiares e/ou microempresas, que mantenha em cargo diretivo alguém cujo trabalho tem sido mal desempenhado - e ano a ano tem piorado. Imagine isso numa entidade que arrecada milhões...

A ver os próximos capítulos da trama.

Agora, enfim, o Gaciba, pelo menos, lembrou-se de que tem um chefe.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL