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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: Após a eliminação, o Renato despencou?

Renato Gaúcho lamenta gol sofrido pelo Flamengo contra o Athletico-PR na Copa do Brasil - Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Gaúcho lamenta gol sofrido pelo Flamengo contra o Athletico-PR na Copa do Brasil Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

28/10/2021 10h58

Em 2017, Renato disse que o Corinthians surpreendente de Carille cairia de rendimento. Era inexorável. Na ocasião, o time paulista liderava o Brasileiro-17 com 11 vitórias e dois empates. Renato então aproveitou uma coletiva pós-vitória do seu Grêmio sobre o Flamengo no Rio e disparou:

"O Corinthians tem se aproveitado, feito o dever de casa e conseguido vitórias fora. Mas, daqui a pouco, o Corinthians vai despencar."

Bem, até tropeçou, mas o Corinthians de Carille foi o campeão daquele ano com um elenco "#QuartaForça". O time de Renato, com méritos dele, foi campeão da América.

Aquele técnico teve depois temporadas menos memoráveis, mas ainda assim marcadas pela sua capacidade de peneirar alguns jogadores e recuperar outros. Os Grêmios do Renato sempre foram times muito competitivos: menos copeiros do que as manchetes exageravam, mas sempre nas disputas. Entre 2016 e 2020, foi impossível falar das principais competições e das suas disputas sem incluir o Grêmio.

O Renato na vida do Flamengo era questão de dias desde que Jorge Jesus resolveu ir embora. Chegou o dia. Foram quase 90 dias de lua-de-mel com poucos dias nublados. Outubro e sua tripla data-Fifa abriu o inferno astral de Renato, do Flamengo, dos jogadores do Flamengo.

Um trabalho merecidamente criticável foi muito atrapalhado pelas convocações, pelas lesões, pela crise interna dos diretores que só pensam nas eleições da Gávea e nos seus cargos, e, lamento por ferir suscetibilidades de fãs clubes, pelo mês de futebol pífio de muitos jogadores.

Contra o Athlético, Renato escalou mal. Andreas e Arrascaeta não havia funcionado e não funcionou com Diego. As mudanças do intervalo provaram isso. O Flamengo melhorou, pressionou, o goleiro Santos trabalhou, mas... Mas o jogo já estava 0 x 2. Ao empilhar atacantes, o time desorganizado do primeiro tempo voltou a aparecer no segundo. Com requintes de crueldade e os paranaenses com um a menos, ainda deu tempo para o 0 x 3.

A crise pulula.

Renato até poderia der caído, mas não despencou do cargo porque seu pedido de demissão não foi aceito.

A ver o que acontece depois do Flamengo x Galo. Mais 48h de fervura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL