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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: A um ano da convocação da Copa, quantos dos 23 Tite já tem?

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

04/10/2021 10h19

É bastante provável que muitos dirigentes, incluindo os que fazem tabela na CBF, venham a se surpreender com a Copa do Mundo em novembro do ano que vem. Mas o spoiler necessário nesta semana de "data Fifa" (não estavam com saudade?!) nos leva à outra questão: quantas das 23 vagas da Seleção ainda estão vagas?

Para os jogos supimpas contra Venezuela, Colômbia e Uruguai, com a Seleção invicta e tecnicamente classificada para o Catar-22, Tite chamou:

Goleiros: Alison (Liverpool); Ederson (Manchester City); e Weverton (Palmeiras). Exceção feita à infeliz contusão, não há vagas neste setor.

Laterais: Danilo (Juventus); Emerson (Tottenham); Alex Sandro (Juventus); e Guilherme Arana (Atlético-MG). Aqui há duas vagas - e não exatamente pela disputa frenética de talentosos laterais, mas por falta de "donos" da posição.

Zagueiros: Éder Militão (Real Madrid); Lucas Veríssimo (Benfica); Marquinhos (PSG); e Thiago Silva (Chelsea). Se puder (entenda-se: nenhum deles despencar tecnicamente), Tite não muda ninguém.

Meio-campistas: Casemiro (Real Madrid); Edenílson (Internacional); Everton Ribeiro (Flamengo); Fabinho (Liverpool); Fred (Manchester United); Gerson (Olympique de Marselha); e Lucas Paquetá (Lyon). Apesar de não ter a mesma confiança que inspirava pré Copa 2018, há aqui uma (no máximo duas) vaga.

Atacantes: Antony (Ajax); Gabriel Barbosa (Flamengo); Gabriel Jesus (Manchester City); Matheus Cunha (Atlético de Madri); Neymar (PSG); Rafinha (Leeds); e Vini Jr (Real Madrid). Aqui sobram vagas. Neymar e Gabriel Jesus podem preparar o passaporte, mas todos os demais seguem na ciranda: o teste é jogar (bem) ao lado de Neymar.

O máximo de emoção nestas Eliminatórias até aqui foi o ataque formado pelo fiscal da Anvisa. Em competição desnivelada, o Brasil faz campanha irretocável, mas insossa. Tite tem um ano, sem amistosos mais competitivos, para mudar a temperatura de um time que convive com o desdém de boa parte da torcida.

Não consigo entender como, ao atrapalhar o Campeonato Brasileiro, ele pode conseguir isso. Mas consigo entender por que Gabigol, Edenílson, Arana e Everton Ribeiro vão se apresentar com sangue no olho e sorriso nos lábios.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL