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Marília Ruiz

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Marília Ruiz: O vazio de poder da CBF, e a liga que ainda engatinha

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

27/07/2021 16h27

O vazio de poder deflagrado com o afastamento de Rogério Caboclo há quase dois meses deu espaço para a Liga dos Clubes.

Festejada como uma possível salvação para o falido futebol nacional (falido é aqui a soma de contas no negativo, calendário ridículo, legislação engessada, clubes mal geridos, inovação zero e, para ser fofa, no mínimo falta de inteligência dos dirigentes), a Liga logo se fez presente nos noticiários com manifestos, reuniões e declarações fortes.

A essa colunista, por exemplo, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, afirmou que a Liga era um passo irreversível e o movimento seria acelerado. Disse também que não tinha pretensões de liderar ou presidir a nova entidade. Que a ideia da maioria era formatar uma liga mais "parlamentarista" do que "presidencialista".

Isso foi em junho.

Passou a conturbada Copa América. Novas denúncias contra o presidente da CBF foram protocoladas. Novas derrotas de Caboclo na Justiça reforçaram a tese de o afastamento temporário ser definitivo. Figuras obscuras voltaram a se manifestar para troca de fogo "fratricida". Vices da CBF se insuflaram contra o ex-mandatário. Caboclo e advogados adotaram a defesa do contra-ataque: saiu atirando. A Justiça foi além do esperado: anulou a eleição de Caboclo. O vazio no poder virou anarquia. Para dar um jeitinho no caos, Landim (Flamengo) e Reynaldo Carneiro Bastos (presidente da FPF) foram indicados interventores.

E???

Nada. Aparentemente ninguém quer se queimar. A avaliação dos cartolas é que o rearranjo de poder não está claro e que não é a hora de mostrar os seus trunfos… É óbvio que o afastamento de Caboclo não significa uma mudança total, senhoras e senhores. A troca recente de presidentes (Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo), ficou provado, não mudou nada no comando da CBF.

Muito bem: e cadê a Liga dos bons moços preocupados em salvar, recuperar e reinventar o futebol de clubes no Brasil?

O que eu posso afirmar é que, sim, a Liga segue trabalhando nos bastidores, que recebeu propostas de 4 grupos estrangeiros para se associar na formatação/vendas de direitos internacionais/recolocação de mercado), e que não está totalmente parada. Inclusive não está parada porque a guerrinha de egos já começou…

E não tem empresa internacional séria que veja com bons olhos que projetos pessoais profissionais estejam tão claramente sendo tocados paralelamente às negociações.

O recado tem destino: cartolas que pretendem subir na cadeia alimentar do futebol com a projeção que a Liga pode dar.

Qual o efeito colateral que já aparece? O vácuo de poder da CBF estás endo preenchido por mais do mesmo.

A ver…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL