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Marília Ruiz

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Marília Ruiz: Rogério Caboclo retoma agenda e tenta contornar crise na CBF

Rogério Caboclo, presidente da CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Rogério Caboclo, presidente da CBF Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

27/05/2021 12h45

Viagem por cidades do norte e do nordeste, afagos em dirigentes que visitam a sede da CBF: essas foram as primeiras reações públicas de Rogério Caboclo depois da eclosão de uma crise deflagrada pelas acusações de comportamentos inapropriados do presidente com funcionários e outros cartolas. Uma funcionária da entidade, afastada por licença médica, afirmou a pessoas próximas ter provas de condutas inapropriadas do dirigente-mor do futebol brasileiro.

Ainda arisco a contatos de alguns interlocutores e preocupado com "grampos" dentro da sede da entidade (uma empresa especializada em rastrear a existência de escutas foi chamada), Rogério Caboclo retomou a agenda pública no final de semana e foi assistir à final do Campeonato Paraense (posou no pódio e distribuiu as medalhas). Aproveitou o tour e visitou o ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre e o governador do Pará, Helder Barbalho. Durante essa semana, Caboclo já recebeu na sede da CBF no Rio presidentes das federações amapaense, acreana e goiana de futebol.

Em meio à crise interna que, além das acusações, inclui a possível "interferência externa" de dirigentes excluídos do futebol pela Fifa, apontava para articulações para substituir o presidente da CBF, Caboclo ao voltar à cena manda um recado: vai lutar pela sua cadeira. E vai lutar angariando os apoios históricos de presidentes de federações e políticos.

Em entrevista exclusiva ao Blog, o presidente da FPF disse que acompanha à distância "boatos" de uma crise na CBF. Mas que a relação com Caboclo segue normalmente.

"A gente ouve muitas estórias, muitos boatos, grampos feitos na sala... Coisas tristes e lamentáveis que não agregam nada ao futebol. Futebol precisa de paz. Se não está feliz, troca a pessoa. Ano que vem tem eleição. As pessoas podem se colocar e se manifestar. Não há vácuo no poder. Se eu morrer, outra pessoa vai entrar aqui (na FPF). Não tenho nenhuma percepção de vácuo do poder na CBF. Na semana passada estivemos em reunião com Caboclo, Gaciba. Está tudo normal", afirmou Reinaldo Carneiro Bastos ao BLOG.

Tão normal quanto Caboclo quis deixar claro em entrevista no Pará, como se nada estivesse esquentando os bastidores.

"O jogo realmente foi épico (final paraense). Isso mostra que a CBF prestigia o futebol de norte a sul, independentemente de qual clube, estado. Queremos todos os estados fortes, todas as federações fortes, os clubes disputando cada vez com mais competência e responsabilidade e tendo condições de, dentro de campo, fazer o futebol brasileiro ser cada vez maior", afirmou à imprensa local o presidente da CBF, que voltou para Rio com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, possivelmente não o único presente do presidente Federação Paraense, Adelcio Torres.

Histórico:

Há cerca de um mês, Rogério Caboclo enfrenta acusações de "comportamento inapropriado" como presidente da CBF. Uma funcionária da entidade, afastada do trabalho com base em um diagnóstico psiquiátrico, teria provas contra o dirigente. Além disso, áudios revelados pela ESPN mostram a influência de Marco Polo Del Nero na administração da CBF - mesmo depois de o ex-presidente da entidade ter sido banido do futebol pela Fifa em 2018.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL