PUBLICIDADE
Topo

Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: América do Sul agoniza, mas não se cansa de jogar futebol

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

04/05/2021 14h10

A situação da pandemia no nosso continente é de conhecimento de todos. Meses trágicos, números chocantes de mortos, vacinação lenta, pobreza "contagiante", fome alastrada.

Mas o futebol segue lindo e faceiro.

A rodada desta semana da Libertadores e da Sul-Americana é um retrato de mais uma consequência triste a pandemia: a apatia da sociedade, da imprensa, da torcida, dos humanos.

Defensa y Justicia: surto de COVID que atinge 15 jogadores.

Independiente: 11 jogadores dormindo em chão de aeroporto da Bahia porque os protocolos dos países são diferentes.

Viagens suspensas.

Treinos em hotéis.

Mandos acertados nas vésperas dos jogos.

Times desalojados de sua altitude, de suas cidades, de seus países.

E?

E "vocês da imprensa" seguem anestesiados, ou cansados ou resignados.

Nem mais aquele truque de retórica que alertava para o "apesar da COVID", blablabá.

O assunto é quem Rogério Ceni colocará nas vagas de Rodrigo Caio e Gerson. Se o Galo vai engrenar contra o Cerro Porteño. Como o Bahia (que teve duas vezes o jogo cancelado e remarcado para hoje nas últimas 12 horas) vai entrar em campo na semana em que também disputa a final da Copa do Nordeste.

Nas páginas principais da CBF e da Conmebol, por exemplo, o assunto "contratempos" inexiste.

A bola, senhores, não pune, não. Ela cega.

Constrangedor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL