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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Uma vez, duas vezes seguidas, Flamengo

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

25/02/2021 23h36

Pode não ter sido com tanta facilidade, pode não ter sido com futebol empolgante, pode não ter sido com tantos adjetivos como em 2019, mas foi. De novo.

E como foi?

Sem torcida, sem Maracanã, sem "vapo" e com uma derrota na última rodada (e um gol impedido anulado do Inter nos acréscimos contra o Corinthians).

Se na temporada passada, o Flamengo não deu chance aos adversários, empilhou recordes e vitórias, levantou a taça com 4 rodadas de antecedência e deixou um abismo entre si e o segundo colocado, desta vez foi o Flamengo que precisou correr atrás dos seus concorrentes. Com sustos, com crises, com troca de técnicos, com derrotas inesperadas, o Flamengo liderou apenas 2 das 38 rodadas do Brasileiro: as duas que definiram a taça.

E é isso que importa, senhoras e senhores, aos vencedores. Só isso.

Tão questionado, com começo bem mais instável (com duas doloridas eliminações) do que suponha qualquer um que avaliasse o elenco do Flamengo, Rogério Ceni tem sim sua assinatura neste sprint vencedor nas últimas rodadas: 5 vitórias em 7 jogos. Arão na zaga tem a assinatura de Rogério. Diego bem resolvido como "volante"? Assinatura de Rogério. CTRL C, CTRL V do ataque de Jorge Jesus? Acerto de Rogério em admitir que inventar nem sempre é necessário.

A assinatura final de Rogério, com requintes de crueldade para os são-paulinos, foi a volta olímpica quase natural no Morumbi. Tão natural como apontar Gabigol como a cara do título 2020. Decisivo, visceral: poucos jogadores sentiram tanto a falta da torcida nas arquibancadas como ele, que turbina a sua performance nos decibéis da magnética. Gabigol, no silêncio ensurdecedor dos estádios vazio de um país que vela mais de 250 mil mortos pela COVID-19, deu mais um Brasileiro ao Flamengo. E ainda assim não foi o craque da competição que maltratou os clubes, maltratou ainda mais os protagonistas.

Não queiram achar legado no torneio mais agonizante dos últimos tempos. Não cobrem do campeão. Parabenizem o campeão.

O Covidão-20 saiu do papel como um pacto entre as partes de fazer o show continuar. Ninguém que aceitou fazer voltar o futebol como se não estivéssemos enfrentando a pior pandemia em 100 anos, ninguém que insistiu em retomar TODOS os torneios em um calendário ainda mais apertado do que o péssimo do velho normal, ninguém que decidiu que o dinheiro precisava ser priorizado queria um campeonato que arrancaria suspiros das arquibancadas virtuais.

O fato de os mesmos dirigentes terem agido durante o torneio como se não fosse esse o acordão não muda os fatos. Não muda inclusive a notícia que fica: uma vez, duas vezes seguida, Flamengo!

Parabéns, rubro-negros!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL