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Marília Ruiz

Marília Ruiz: Em exclusiva, Felipe Ximenes conta sua saída do Santos

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

20/01/2021 12h45

O anúncio da sua dispensa a dez dias da final da Libertadores pegou Felipe Ximenes, ex-superintendente de esportes do Santos, de surpresa e de mala em mãos literalmente. "Estava pronto para o embarque para Fortaleza com o elenco, quando recebi uma mensagem do (José Renato, conselho gestor) Quaresma para que eu fosse à Vila. A última coisa que eu poderia esperar era essa saída agora a 10 dias de um jogo tão importante", disse Ximenes, em entrevista exclusivo ao Blog.

Já são 12 demissões de profissionais de futebol/jurídico do clube desde o início da gestão Rueda em 1 de janeiro.

Ontem, além de Ximenes, o Santos dispensou o tetracampeão Márcio Santos, que fazia a articulação das relações institucionais do clube com a CBF (principalmente), cuja cúpula não gostou da decisão.

"Fiquei triste e surpreso. Era muito mais fácil ter me mandado embora na mudança de gestão. A dias da final da Libertadores não faz o menor sentido. A construção da narrativa é equivocada. Eu não disse em nenhuma entrevista que os salários teriam sido pagos. Sim, por causa disso eu fiz uma reunião e conversei com os atletas sobre isso na véspera do jogo contra o Botafogo no último sábado. Ficou tudo certo, ganhamos o jogo no domingo, eu estava no CT com a minha mala ontem quando o Quaresma me chamou para falar. A gestão diária era normal, com os problemas de rotina. O ambiente era o melhor possível. Sei que isso (demissão) é comum no futebol, mas achei bastante deselegante", contou Ximenes.

A deselegância, no caso de Márcio Santos, foi um tantinho maior. Nem recebido por Quaresma (ou pelo presidente do clube) ele foi.

A saída da dupla deixa o departamento de futebol agora nas mãos do vice José Carlos de Oliveira, do gerente Jorge Machado (ambos acompanham a delegação no Ceará) e de Quaresma. O presidente Andrés Rueda tem confiado, principalmente ao último, a reorganização do departamento de futebol com suas pessoas de confiança.

As rusgas entre Ximenes e o elenco, usadas para justificar a sua saída nesta semana, teriam sido intensificadas pela "live" de Marinho cobrando pagamento de salários depois da vitória sobre o Boca e da seguida divulgação de uma suposta afirmação de Ximenes sobre a quitação dos débitos. A reunião entre Ximenes e os jogadores, e um suposto pedido de Cuca, também têm sido usados como explicação. Sobre a saída de Márcio Santos, entretanto, além do movimento político interno da nova gestão, não há razões objetivas.

"Não pude me despedir do elenco. Mas falei com o Cuca por telefone, claro. Espero que isso não afete em nada a programação já feita para as próximas semanas e para a final da Libertadores. Acredito que não: a função do superintendente é de ser um mediador, um facilitador, um gestor da interface direção/futebol. Conseguimos fazer um trabalho muito bom em três meses", finalizou Ximenes, que tecnicamente não foi demitido. Com contrato até o final do Brasileiro, acertou que cumprirá seu "aviso prévio" até 24 de fevereiro.