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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol brasileiro ganha ferramenta importante no combate ao racismo

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

22/09/2021 14h10

Por Gabriel Coccetrone

O racismo segue sendo um problema no Brasil e no futebol brasileiro. Os casos se repetem, e o esporte também tenta se proteger combatendo condutas que violam proteção de Direitos Humanos. Mesmo assim, o sentimento de impunidade continua presente na vida e no esporte. Para diminuir esse problema, o esporte, a Justiça Desportiva e a Comum terão uma nova ferramenta de apoio.

O site Observatório da Discriminação Racial no Futebol irá lançar um aplicativo, que promete ser seguro, discreto e eficiente. A ferramenta será usado para coletar e denunciar a discriminação racial no ambiente esportivo.

"A principal ideia é que a gente consiga mapear as denúncias que o Observatório recebe através das redes sociais e a partir daí conseguia criar um banco de dados para que ele seja utilizado e consultado pela Justiça Desportiva, Justiça Comum e pelos próprios clubes para que se possa identificar, investigar e punir dentro da lei os infratores", conta Marcelo Carvalho, diretor da entidade.

O Observatório vai ajudar no monitoramento dos dados, alimentando e disponibilizando informações que podem ser usadas por entidades esportivas e pelo poder público.

Marcelo Carvalho conta que através desse banco de dados, a sociedade encontrará informações sobre o andamento e desdobramentos dos casos de racismo que foram denunciados. Além disso, outra ferramenta importante que virá junto com o aplicativo será de disponibilizar orientações de como e onde as vítimas devem denunciar casos de injúria racial.

"Queremos noticiar, mapear outros casos, que acabam não saindo na mídia, e auxiliar as vítimas de como proceder com a denúncia. Muitas dessas pessoas que sofrem racismo enfrentam dificuldades em registrar boletim de ocorrência, por exemplo", explica o diretor.

Para Fernanda Soares, advogada especializada em direito desportivo e colunista do Lei em Campo, o projeto é "importantíssimo no combate ao racismo no esporte".

"É preciso conhecer os casos, é preciso dar visibilidade. Essa divulgação auxilia, não apenas na punição de quem comete atos racistas, mas na formação da consciência das pessoas que ainda relutam em acreditar que existe racismo no Brasil", ressalta a advogada.

Ao longo dos sete anos de atuação, o Observatório recebeu, encaminhou e atuou em diversas denúncias que os usuários informaram, e procuraram auxílio, via redes sociais.

Segundo levantamento da entidade, com dados obtidos através dos meios de comunicação, os casos de racismo no futebol brasileiro aumentaram nos últimos anos. Confira a evolução:

- 2014: 20;

- 2015: 35;

- 2016: 25;

- 2017: 43;

- 2018: 44;

- 2019: 65;

- 2020: 31 (por causa da pandemia, futebol parou por mais de 3 meses)

Marcelo Carvalho conta que a ideia de criar o aplicativo surgiu baseada em um exemplo do Kick Off, entidade que combate o racismo no futebol inglês.

"O Kick Off consegue lançar um relatório bem desenvolvido e completo de casos de racismo no futebol inglês, isso porque a entidade responsável pela plataforma consegue um contanto mais direto com o torcedor. A ideia surge daí, queremos estar mais presentes e ser um canal de denúncias", revela.

Para prosseguir com o projeto, que ainda não tem data para ser lançado, o Observatório diz que aguarda a busca por parceiros para captação de recursos.

"O racismo não vai acabar no esporte enquanto for tão presente na sociedade, mas o esporte (principalmente o futebol) precisa dar um passo importante no combate e não tolerância da discriminação dentro e fora das quatro linhas", finaliza Marcelo Carvalho.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL