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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ao fazer história na NFL, Nassib reforça necessidade da representatividade

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

24/06/2021 09h30

Por Gabriel Coccetrone

Na última segunda-feira (21), Carl Nassib entrou para a história da NFL (National Football League) ao se assumir gay, tornando-se o primeiro jogador em atividade na história da liga, considerada por muitos como conservadora, a se declarar abertamente homossexual. A revelação do armador dos Las Vegas Raiders teve grande repercussão e sua camisa se tornou a mais vendida por dois dias consecutivos.

Nassib declarou que esperava que seu exemplo aumentasse a visibilidade de outros atletas homossexuais. Atitudes como essa, reforçam a necessidade da representatividade das minorias no esporte.

"Esse tipo de reação mostra como o esporte é um espaço de todos e todas. Essa ideia de que o público é formado apenas por homens, brancos, heterossexuais é equivocada, não representa a realidade. Quanto mais diversos for o espaço maior será a sua inserção. O jogador, quando expõe a sua sexualidade mostra que esse espaço pertence a mais pessoas do que o mainstream acredita", afirma Mônica Sapucaia, advogada especialista em direitos humanos.

"O mundo precisa evoluir até que as pessoas parem de ter de assumir porque se tornou normal o suficiente para todos aceitarem e esse mundo ideal só é atingido quando pessoas como o Nassib têm a coragem de romper tabus e permitir que os torcedores que se identifiquem passem a se espelhar neles. Isso faz com que a liga tenha de se posicionar, os times tenham de abraçar a causa e ajuda enormemente na construção daquilo que deve deixar de ser um estigma e passar a ser algo natural", completa Victor Targino, advogado especializado em direito desportivo.

Mônica Sapucaia ressalta que "o importante é normalizar esse tipo de informação", uma vez que "o jogador apenas dividiu com o público uma informação pessoal e precisa ser encarada assim e não como algo que o diferencia".

Na maioria dos casos, diante do preconceito de muitos torcedores e temendo o término precoce de suas carreiras, jogadores da NFL que são homossexuais costumam se assumir após se aposentarem do esporte. De acordo com o site 'Outsports', os seguintes atletas que atuaram pela liga revelaram ser gays: David Kopay, Jerry Smith, Ray McDonald, Martin Jenkins, Roy Simmons, Jeff Rohrer, Esera Tuaolo, Wade Davis, Kwame Harris, Ryan O'Callaghan, Dorian Bryant, Brad Thorson, Michael Sum, Colton Underwood e Ryan Russell.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, parabenizou Carl Nassib pela coragem de Nassib e afirmou que "milhares de crianças em todo o mundo poderão se ver de forma diferente" após a atitude do jogador. Diferentes atletas da NFL também enviaram mensagens de apoio ao armador.

A revelação do jogador foi feita através das redes sociais.

"Quero aproveitar um breve momento para dizer que eu sou gay. Eu venho querendo fazer isso há algum tempo e finalmente me sinto confortável para tirar isso do meu peito. Eu realmente tenho a melhor vida, família e amigos que poderia pedir", declarou o jogador de 28 anos na última segunda.

"Eu sou uma pessoa muito reservada, então não estou fazendo isso por atenção. Só penso que representatividade e visibilidade são muito importantes. Espero que um dia vídeos como esse não sejam mais necessários", completou.

Nassib ainda anunciou uma doação de US$ 100 mil (R$ 501 mil na cotação atual) para a 'Trevor Project', organização sem fins lucrativos que ajuda jovens LGBT nos Estados Unidos e é a número um do país em prevenção de suicídio entre esse grupo. A NFL também fará uma doação no mesmo valor.

Nascido em West Chester, na Pensilvânia, Nassib atuou pela Pennsylvania State University e foi contratado pelo Cleveland Browns na terceira rodada do Draft de 2016. Após duas temporadas no Browns, seguiu para o Tampa Bay Buccaneers e atualmente está no Raiders.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL