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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Justiça mantém proibição do Spray do árbitro no futebol brasileiro. Entenda

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

15/04/2021 13h04

Por Florence Berrogain

A 3ª Turma do STJ manteve a proibição do "spray de barreira" utilizado pela Fifa nos jogos de futebol. A decisão deu parcial provimento ao recurso da Fifa para que a determinação seja válida somente para o território nacional.

A ação foi ajuizada pela Spuni Comércio de Produtos Esportivos e Marketing, alegando que o spray de barreira foi inventado por um brasileiro, representante da empresa, que obteve o registro da patente em mais de 40 países. Porém, afirma que a Fifa estaria utilizando o produto através de outros fornecedores em todo o mundo, sem autorização para tanto, configurando quebra de patente.

O inventor ainda alega que a entidade teria manifestado interesse na aquisição da patente do produto por U$ 40 milhões, mas não cumpriu a promessa.

O "spray de barreira" é uma substância espumosa utilizada pelos árbitros para marcar o local das cobranças de faltas e delimitar a distância da barreira.

Em 2017, a empresa já havia obtido liminar favorável para que o uso do spray fosse proibido nas partidas de futebol organizada pela Fifa e suas confederações filiadas, mas a decisão não teve efeito prático.

Antes do julgamento pelo STJ, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro concluiu que não havia violação à patente, restando para o tribunal superior decidir a questão da territorialidade. Segundo o entendimento da Fifa, não foram observados os limites territoriais, pois o judiciário brasileiro não possui jurisdição para determinar a proibição do uso do spray pela entidade internacional.

No STJ, o Ministro Relator, Paulo de Tarso Sanseverino, destacou que a autoridade judiciária brasileira tem inegável competência para decidir sobre litígios que discutem a violação de patente de invenção concedida pelo Brasil, conforme disposição do artigo 21, III, do Código de Processo Civil.

Segundo o Ministro, "As patentes, no entanto, como direito de propriedade intelectual, caracterizam-se por serem direitos territoriais conferidos no exercício da soberania do estado e que, por conseguinte, encontram limite no território nacional".

Assim, o STJ reconheceu por unanimidade a jurisdição brasileira somente no que diz respeito à patente concedida no Brasil, de forma que a proibição do spray de barreira pela Fifa é válida somente para o território nacional.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL