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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pedido do Vasco de anulação de partida não irá adiante, dizem especialistas

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

14/02/2021 20h37

Por Gabriel Coccetrone

A 36ª rodada do Campeonato Brasileiro poderá parar no tribunal. Logo após o término do jogo contra o Internacional em São Januário, o Vasco anunciou, em seu site oficial, que pedirá a anulação da partida na justiça desportiva. O motivo é a falha técnica do VAR (árbitro de vídeo) no lance que originou o gol colorado de Rodrigo Dourado. O Lei em Campo ouviu especialistas sobre a possibilidade de a solicitação ser aceita.

"O pedido do Vasco não deverá prosperar uma vez que o uso do VAR não é obrigatório, sendo a decisão de campo soberana. Além disso, pela regra do VAR o não uso deste não gera uma anulação da partida", afirma Alberto Goldstein, advogado especialista em direito desportivo.

A comentarista de arbitragem dos canais Disney e colunista do Lei em Campo, Renata Ruel, lembra que é "importante destacar que a arbitragem seguiu o protocolo que diz que se o VAR falhar a decisão de campo deve ser mantida."

Ainda segundo o documento da entidade brasileira, uma partida não pode ser invalidada devido a:

- Defeito (s) na tecnologia do VAR (inclusive na tecnologia da linha de gol - GLT);

- Decisão errada envolvendo o VAR (dado que o VAR é um membro da arbitragem);

- Decisão de não revisar um incidente;

- Revisão de uma situação não revisável.

"Esse caso é diferente dos outros casos em que foram levantadas possibilidades de anulação das partidas. A diferença é que nos outros casos havia o claro descumprimento de alguma regra, no caso do Vasco não. O artigo 78 do regulamento geral de competições da CBF diz que a entidade não será obrigada a disponibilizar o equipamento em todas as partidas de uma mesma competição", ressalta Vinicius Loureiro, advogado especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.

Fernanda Soares, advogada e colunista do Lei em Campo, entende que a anulação de uma partida só deve ser feita em casos graves. "Anulação de partida é algo extremamente raro, e assim deve ser, já que prejudica muito a competição. Só ocorre quando o árbitro toma decisão contrária às regras do jogo, algo evidente e grave o suficiente para ensejar uma interferência tão forte do tribunal na competição. Interpretação do árbitro, a princípio, não enseja anulação da partida", avalia a advogada especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.

Para Martinho Miranda, advogado especializado em direito desportivo e colunista do Lei em Campo a "anulação não cabe. Mas a Procuradoria tem o dever de instaurar inquérito para apurar responsabilidades e punir os culpados""

Na súmula, o árbitro Flávio Rodrigues não citou o lance polêmico, tão pouco o problema técnico no equipamento. Na parte reservada para "observações especiais", o juiz escreveu que "nada houve de anormal".

A CBF deve se manifestar nesta segunda de maneira oficial, já com a posição da empresa que cuida da parte técnica da operação do VAR.

Confira a nota divulgada pelo Vasco

O Club de Regatas Vasco da Gama entrará com um pedido de anulação da partida contra o Internacional, neste domingo (14), em São Januário, válida pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol. Em ofício, assinado pelo presidente Jorge Salgado imediatamente após o término do confronto, e anexado à súmula do jogo, o Vasco afirma que o "VAR disfuncional não anula gol do Internacional em flagrante impedimento".

"O que presenciamos hoje em São Januário foi mais uma repetição do ultraje que tem sido a atuação da arbitragem da CBF em nossas partidas. Pediram para retirarem uma câmera da Vasco TV, 'descalibraram' a linha e ironizaram nosso treinador dizendo que avaliariam as imagens 'de casa'. Já são 18 apitos contra o Vasco, em uma disparidade desrespeitosa em relação a qualquer outro time da competição. Estou acionando a CBF por telefone hoje para uma reunião esclarecedora. Vamos requerer na justiça desportiva a anulação desse jogo", declara Jorge Salgado.

O jurídico do Vasco já está reunindo todas as informações pertinentes para acionar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e buscar os direitos do Clube.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL