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Santos não deve ser punido por casos de Covid-19 na Argentina

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

08/01/2021 17h30

Por Gabriel Coccetrone

A divulgação de que o goleiro John e o zagueiro Wagner Leonardo testaram positivo para Covid-19 pegou a torcida do Santos de surpresa na tarde desta sexta-feira (8). A dupla recebeu o diagnóstico após o empate em 0 a 0 com o Boca Juniors, na Argentina, pelo jogo de ida da semifinal da Libertadores. Diante dos diferentes protocolos adotados pela Conmebol para suas competições e a fim de esclarecer as dúvidas dos torcedores santistas, o Lei em Campo ouviu especialistas sobre a possibilidade de o Peixe receber algum tipo de punição por conta do caso.

"Não vejo possibilidade de punição. No meu entendimento, os protocolos foram cumpridos. Em uma situação de pandemia é possível imaginar que mesmo cumpridos os protocolos, pessoas da delegação sejam contaminadas. O que pode ocorrer é o Santos não conseguir trazer os jogadores de volta para o Brasil até que tenham um resultado negativo. Nesse caso, não há como falarmos em punição, apenas no cumprimento das determinações para os casos de resultado positivo", afirma Vinicius Loureiro, advogado especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.

"O Protocolo de Operações para reinício das competições continentais da Conmebol é claro ao fixar que todos os clubes devem testar os seus jogadores pelo menos 5 dias antes das partidas, sendo preferível a realização dos testes nas 72h anteriores ao início dos jogos. Os clubes visitantes, que é o caso do Santos, devem inserir os resultados dos testes no portal criado pela Conmebol para acompanhamento dos mesmos em pelo menos 24h antes do início da partida. Acredito que o clube paulista tenha cumprido os protocolos e, deste modo, dificilmente será punido", avalia o advogado especialista em direito desportivo Pedro Juncal.

O Lei em Campo já explicou o que as delegações de Santos e Palmeiras tiveram que cumprir para conseguir entrar na Argentina para a disputa da competição continental. Por conta das fronteiras fechadas e do aumento do número de casos, o governo argentino passou a exigir um teste com resultado negativo para conseguir a liberação de entrada e outro para saída, além de outras rigorosas exigências.

Toda a delegação do Santos foi testada no último sábado (2) e recebeu o diagnóstico negativo para Covid-19 quando entrou no país, porém John e Wagner Leonardo testaram positivo logo após a partida antes de deixar a Argentina. Ao receber os resultados positivos, a dupla foi colocada em isolamento no hotel em que a equipe estava hospedada, em Buenos Aires, e não retornou com o restante da delegação santista para o Brasil. O Peixe tentará um disponibilizar um voo sanitário ainda nesta sexta-feira (8) que sairá do Brasil para buscar os atletas.

"Para que o Santos seja punido deve haver comprovação de que o clube não cumpriu o determinado pelo protocolo. Descumprir qualquer um dos deveres e obrigações previstos no protocolo é uma infração disciplinar", completa Fernanda Soares, advogada especialista em direito desportivo e colunista do Lei em Campo.

Segundo a emissora TNT, o clube argentino estuda entrar com uma representação contra o Peixe na Conmebol por conta do acontecimento.
"O Boca deve fazer uma representação, pois acredita que o Santos fez isso de propósito, de não ir ao vestuário, por saber que seu zagueiro havia testado positivo", disse o apresentador Hernan Catillo.

Na partida, o técnico Cuca optou por não descer para o vestiário no intervalo, como é de costume em um jogo de futebol. O treinador e a comissão técnica passaram instruções do próprio banco de reservas, gerando surpresa para quem acompanhava a partida.

Ao chegarem no Brasil, John e Wagner Leonardo farão um exame de contraprova e não estarão disponíveis para o clássico contra o São Paulo, no domingo (10), às 16h (hora de Brasília), pelo Brasileirão, e contra o Boca Juniors na quarta-feira (13), às 19h15, na Vila Belmiro, pelo jogo de volta das semifinais da Libertadores.

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