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Aglomeração de torcida não deve gerar punição a clubes, dizem especialistas

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

19/11/2020 15h04

Por Gabriel Coccetrone

Horas antes do decisivo confronto entre São Paulo e Flamengo pelas quartas de final da Copa do Brasil, torcedores são paulinos resolveram ignorar as recomendações de distanciamento social e o aumento de casos de Covid-19 na capital e se aglomeraram na Praça Roberto Gomes Pedrosa para receber e apoiar o ônibus do time na chegada ao estádio.

Com bandeiras, sinalizadores, fogos de artifício e sob gritos de incentivos, a delegação do São Paulo foi recebida por centenas de torcedores com bastante festa. Em imagens que circulam na internet, é possível perceber que muitos deles não utilizavam máscaras, uma das principais proteções no combate a Covid-19.

"Todas estas orientações que temos passado é de evitar aglomeração, respeitar a pandemia. É algo que vai nos trazer, seguramente, mais casos (de covid-19). Não é aconselhável, não é correto. Isso só dá campo para a pandemia aumentar. Nós já temos manifestado preocupação com baladas, bares e restaurante; esta agora é uma preocupação adicional. É um absurdo que isto esteja ocorrendo", disse Edson Aparecido, secretário municipal de saúde ao UOL.

O secretário além de criticar a aglomeração, prometeu acionar a Federação Paulista de Futebol (FPF) para discutir medidas que impeçam que casos como este se novamente. "Vamos entrar em contato e discutir isso, evitar que aconteça de novo", afirmou Edson.

Para o advogado especialista em direito desportivo, Vinicius Loureiro, o caso não é motivo para punição.

"A menos que seja demonstrado algum incentivo do clube para essa aglomeração, não vejo qualquer possibilidade de punição", disse Loureiro.

"Se não foi o clube que organizou o ato, não há qualquer responsabilidade a ser assumida por ele. Não podemos atribuir ao clube a fiscalização de todas as ruas do em torno do estádio uma vez que o espaço é público e as pessoas tem a liberdade de comparecer", completou Filipe Souza, advogado especialista em direito desportivo.

Em contato com o Lei em Campo, a assessoria da FPF disse que "não recebeu nada do secretário municipal de saúde sobre o caso". Vale lembrar que a Copa do Brasil é uma competição organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), logo a FPF não teria motivos para ser acionada.

O encontro foi marcado pela Torcida Independente, principal organizada do São Paulo, nas redes sociais. Na publicação, a torcida afirma que distribuiria frascos de álcool em gel e só permitiria o acesso de quem estivesse de máscara. No entanto, pelas imagens gravadas, muitos não usavam a proteção.

O caso não é exclusivo da torcida são paulina. Na semana passada, flamenguistas se aglomeraram para incentivar o time antes do confronto contra o time paulista, desta vez, no Rio de Janeiro. Ontem, antes de deixar o estádio Independência após a classificação diante do Internacional, o técnico Lisca, do América-MG, foi parar nos braços dos torcedores que esperavam a saída do ônibus do clube mineiro, causando uma grande aglomeração na porta do estádio.

São Paulo e América-MG não se manifestaram sobre a aglomeração feita por seus torcedores.

Até o fechamento dessa matéria, a Secretária Municipal de Saúde não respondeu aos questionamentos do Lei em Campo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL