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Dois candidatos a prefeito de Fortaleza ignoram o esporte em suas propostas

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

10/11/2020 04h00

Por Ivana Negrão

As eleições municipais acontecem no próximo domingo, dia 15, e o Lei em Campo segue com a série de reportagens sobre políticas públicas para o esporte. Nesta terça-feira (10), especialistas analisam as propostas dos candidatos que lideram as pesquisas em Fortaleza.

A continuidade do PDT no poder na capital cearense está ameaçada pela candidatura de Capitão Wagner (Pros), que aparece com 29% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 5 de novembro.

Capitão Wagner também larga na frente no quesito planos para o esporte. São 13 tópicos e propostas para o tema, como bolsa atleta municipal, o "Monitores do Esporte" com participação de ex-atletas, além de um censo do esporte em Fortaleza.

"É um protocolo de intenções que ele estabelece com o eleitorado, com o compromisso de criar inúmeras possibilidades de acesso ao esporte. Mas não detalha de onde sairão os recursos. Talvez porque não seja o momento ainda", avalia o professor e cientista político Rodrigo Prando.

"Capitão Wagner não demonstra exatamente como vai fazer as coisas, mas o esporte tem destaque. Ele cita aspectos importantes, como a reestruturação de fundos que estavam desativados, e bolsa para atletas como incentivo. Só espero que ele não entenda esporte como futebol apenas", pondera Deysi Cioccari, doutora em ciência política.

Esporte é educação. Por meio dele você também socializa e garante qualidade de vida física e psicológica, desde a infância até a velhice. "Tudo isso é explorado pelo capitão Wagner, que parece levar o esporte mais a sério", completa Rodrigo Prando.

"Na ciência política, as nações subdesenvolvidas não dão muito valor às práticas esportivas. Mas o esporte é político. Sempre caminharam juntos. Todos nós somos políticos o tempo inteiro. E Fortaleza precisa pensar sobre isso. A gente sempre fala sobre pautas de saúde, segurança e educação. Mas o esporte também é fundamental para socialização", reforça Deysi Cioccari.

O recado foi dado porque o candidato Sarto (PDT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas com 26% das intenções de voto, possui um plano de governo bem enxuto. Nele, a palavra esporte aparece três vezes e não há qualquer projeto específico para fomento da área.

O texto da proposta de Sarto traz apenas a defesa do "conceito de espaços de cidadania a serem explorados em todas as dimensões das políticas públicas, dos equipamentos de esporte como as areninhas, às praças e parques". Porém, sem especificação de como colocar isso em prática.

No plano de governo de Luizianne Lins (PT), que busca voltar à Prefeitura de Fortaleza e tem 18% das intenções de voto, o esporte tem menos espaço ainda. Há duas citações em 23 páginas.

"Eu estou chocada. Dos três planos, apenas um tem proposta para o esporte com algo mais detalhado. Isso me incomoda muito, porque o esporte é um meio legítimo de ação política. Ele integra a sociedade, e os exemplos mais bonitos vieram do esporte", finaliza Deysi Cioccari com a mensagem para que os candidatos que ainda não o fizeram tenham um olhar mais atento para esta área.

Os planos de governo dos candidatos podem ser acessados nos links abaixo:

Capitão Wagner

Sarto

Luizianne Lins

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL